O ministro de Interior da Índia, Palaniappan Chidambaram, admitiu nesta sexta-feira (5) que houve “lapsos” do governo na resposta aos ataques terroristas em Mumbai, na semana passada. “Houve lapsos. Eu não seria honesto se dissesse que não houve lapsos”, afirmou o ministro a repórteres. Chidambaram disse que buscava aumentar a segurança do país. Os ataques em Mumbai deixaram mais de 170 mortos e mais de 200 feridos.

Funcionários indianos acusam extremistas sediados no Paquistão pelos ataques. “O território de um país vizinho foi usado para perpetrar esse crime”, afirmou hoje o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, após um encontro com o presidente russo, Dmitry Medvedev, em visita a Nova Délhi. “Nós esperamos que a comunidade internacional acorde e reconheça que o terror em qualquer lugar e em todos os lugares constitui uma ameaça à paz e à prosperidade mundiais”, disse Singh.

O único sobrevivente entre os agressores, Ajmal Amir Kasab, de 21 anos, disse aos interrogadores que foi mandado pelo grupo militante proscrito paquistanês Lashkar-e-Taiba e identificou dois responsáveis por planejar os atentados, segundo funcionários indianos envolvidos nas investigações. Kasab teria dito que um deles, Zaki-ur-Rehman Lakhvi, o chefe de operações do Lashkar, o recrutou para a operação. Os agressores telefonaram ainda para outro alto líder do grupo, Yusuf Muzammil, antes dos ataques.

As informações levaram os investigadores a suspeitar de outro alto nome do Lashkar, Faheem Ansari. Cidadão indiano, Ansari foi preso em fevereiro no norte da Índia. Ele levava esboços de hotéis, do terminal de trem e outros pontos atacados na semana passada, segundo o diretor da força-tarefa especial da polícia de Uttar Pradesh, Amitabh Yash. O Lashkar foi considerado ilegal pelo Paquistão em 2002. Os Estados Unidos sustentam que o grupo tem laços com a Al-Qaeda.

As autoridades indianas enfrentam muitas críticas por não agirem, mesmo após receberem advertências, e também por falhas no setor de inteligência. O fato de um cidadão indiano estar implicado também enfraquece o discurso das autoridades, segundo as quais “elementos no Paquistão” são os responsáveis pela violência.