Em um mundo onde há fome e pobreza, não há justificativa política para desviar lavouras de alimentos para biocombustíveis afirmou o ministro das Finanças da Índia, Palaniappan Chidambaram. Ele discursou ao Comitê de Desenvolvimento do Banco Mundial, no Encontro de Primavera do Bird e Fundo Monetário Internacional, em Washington.

Para o ministro, é imperativo que países desenvolvidos reduzam subsídios para os produtos agrícolas usados na fabricação de combustíveis. "Converter lavoura de alimentos para combustível não é boa política para os pobres, nem para o (meio) ambiente.

O ministro indiano avaliou que os preços em torno de US$ 110 por barril de petróleo não refletem o custo da produção, os riscos inerentes ao mercado, nem a interação entre demanda e oferta. A escalada dos preços da commodity, acrescentou, exige que as nações produtoras contemplem seriamente o gerenciamento de produção e política de preços, e que reflitam sobre a carga danosa que o petróleo caro impõe aos países mais pobres.

Ao discursar na Constituency da Índia do Banco Mundial, representando também Bangladesh, Butão e Sri Lanka, o ministro afirmou que o avanço "sem precedentes" dos alimentos ocorre diante de preços maiores de energia e fertilizantes e "uso crescente de alimento para biocombustíveis". Os preços de alimentos, afirmou, atingem "os pobres de forma mais dura e devem permanecer firmes, a menos que façamos sérias intervenções".

O ministro indiano acrescentou que a demanda por biocombustíveis vai aumentar e os preços dos fertilizantes devem permanecer elevados no médio prazo. A não ser que haja um rápido consenso global sobre a espiral de preços, a agitação social induzida por preços dos alimentos em diversos países deverá gerar contágio global, deixando nenhum país, desenvolvido ou não, incólume.