Ministros das finanças dos 19 países da zona do euro chegaram em Bruxelas na tarde de sábado no horário local (por volta das 9h no horário de Brasília) para uma reunião crucial sobre o futuro da Grécia. O encontro pode determinar se o país se manterá na zona da moeda comum.

Os ministros chegam sabendo que o Parlamento grego aprovou em grande maioria na madrugada deste sábado no país uma reforma e medidas de austeridade, as quais o governo do primeiro-ministro Alexis Tsipras espera que convençam credores a garantir um novo pacote de ajuda.

A resposta do Parlamento parece ter acalmado alguns temores na Europa, mas alguns ministros sinalizam que a Grécia terá que fazer mais.

Jeroen Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo, afirmou que o encontro de hoje é difícil. Ele considerou que há ainda muitas críticas sobre a proposta grega e problemas de confiança.

O secretário de Estado de Finanças da Holanda, Eric Wiebes, que representa o governo holandês no encontro, disse que a Grécia ainda tem um longo caminho a seguir para reconquistar a confiança de seus pares. Para ele, a proposta dos gregos carece de especificidades e “é mais fraca do que deveria ser” em algumas áreas.

Ao chegar para o encontro em Bruxelas, Wiebes disse que ele e outros estão “muito preocupados” com o compromisso do governo grego com reformas. “Estamos discutindo uma proposta que é muito similar àquela que foi rejeitada em massa há menos de uma semana”, completou.

O ministro irlandês das Finanças Michael Noonan também considerou que medidas extras precisarão ser tomadas pela Grécia para garantir o crescimento econômico. “É muito difícil estimular a economia pelo lado da demanda quando se faz ajustes, então eles precisam de mais iniciativas do lado da oferta”, disse. Ele ponderou que há uma preocupação com a possibilidade de a maioria no Parlamento grego diminuir com o tempo.

Já o vice-presidente da Comissão Europeia para o Euro e o Diálogo Social, Valdis Dombrovskis, considerou que há um claro progresso nas negociações com a Grécia. Ele destacou que a votação no Parlamento grego favorável a Tsipras mostrou que há maioria para que o governo possa seguir com o programa de ajustes. Dombrovskis também disse que as propostas enviadas pela Grécia estão em linha com o que havia sido proposto antes do plebiscito de domingo passado no país. (Dayanne Sousa – dayanne.sousa@estadao.com, com informações da Dow Jones Newswires e Associated Press)