Dois mísseis aparentemente disparados pelos Estados Unidos mataram pelo menos dez supostos militantes hoje, no noroeste do Paquistão, disseram autoridades, elevando para seis o número de ataques na região em menos de uma semana.

Os ataques ocorreram com horas de diferença, no Waziristão do Norte, região anárquica onde vivem milicianos que combatem as forças estrangeiras no vizinho Afeganistão. Os rebeldes intensificaram seus ataques no Paquistão nos últimos dias, enquanto o Exército local se concentra na ajuda às vítimas das piores enchentes na história do país. Em menos de uma semana, quatro bombas mataram pelo menos 135 pessoas.

Os EUA dispararam centenas de mísseis no noroeste do Paquistão nos últimos dois anos e meio. As autoridades norte-americanas não admitem publicamente esses ataques, mas afirmam em conversas privadas que eles mataram vários líderes do Taleban e da Al-Qaeda. Os críticos lembram que também morrem inocentes, provocando apoio à insurgência.

O primeiro ataque ocorreu em uma casa no povoado de Dande Darpa Khel, perto de Miran Shah, principal povoado do Waziristão do Norte, disseram dois funcionários de inteligência do Paquistão pedindo anonimato. A casa pertencia a Maulvi Azizullah, um membro da rede Haqqani, grupo miliciano considerado por Washington como a maior ameaça às forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão. Seis milicianos morreram nesse ataque, segundo as fontes.

O segundo ataque foi contra um carro que passava a alguns quilômetros da fronteira, matando quatro pessoas também associadas à rede Haqqani, segundo os funcionários. Zameedullah Wazir, um morador de Ambar Shaga, disse que ele e outros tentaram se aproximar do veículo, mas foram afastados por combatentes do Taleban que chegaram pouco depois do ataque.