George Habash, antigo rival de Yasser Arafat que liderou a segunda maior facção da Organização de Libertação da Palestina (OLP), pioneira em seqüestro de aviões, morreu neste sábado (26) na Jordânia, aos 81 anos. "Ele sofreu um ataque cardíaco fulminante", disse Leila Khaled, integrante do Conselho Nacional da Palestina e uma das líderes da Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP), fundada por Habash. Segundo ela, Habash morreu às 20h15 (16h15 de Brasília) no Hospital Jordaniano de Amã. O ex-líder guerrilheiro vivia na capital da Jordânia desde 1992.

Nascido numa família cristã árabe, Habash foi líder da mais radical facção da OLP e se opunha às negociações de paz com Israel. Seu grupo era o segundo maior na OLP, depois da Fatah, de Yasser Arafat e do atual presidente palestino, Mahmud Abbas. Ao tomar conhecimento da morte de Habash, Abbas declarou três dias de luto oficial e ordenou que as bandeiras sejam hasteadas a meio pau. Ele chamou Habash de "líder histórico".

O grupo de Habash seqüestrou em 1970 quatro aviões comerciais ocidentais quando voavam sobre os Estados Unidos, Europa, Extremo Oriente e Golfo Pérsico. Os aparelhos foram explodidos no Oriente Médio depois do desembarque de tripulação e passageiros. A FPLP também foi responsável pelo ataque que deixou 27 pessoas mortas no aeroporto Lod, em Israel, em maio de 1972.

Habash formou-se em medicina nos Estados Unidos e fundou a FPLP em dezembro de 1967, seis meses depois de os árabes perderem para Israel a Cisjordânia, Faixa de Gaza e Colinas do Golã na Guerra dos Seis Dias. Habash se opunha aos acordos interinos de paz com Israel, em parte porque eles não exigiam que o Estado judeu parasse de construir assentamentos judaicos em terras palestinas. Ele argumentava que Israel só faria concessões para a paz se os palestinos recorressem à violência. Entretanto, desde o início dos anos 1980, ele passou a apoiar a plataforma da OLP, que pede o estabelecimento de um Estado palestino nos território ocupados e o "direito de retorno" dos refugiados palestinos. Habash criticava as tentativas de Arafat de negociar com Israel.