Pelo menos 64 pessoas morreram em novos choques ocorridos em diferentes partes do Egito nesta sexta-feira, informaram autoridades locais. A violência salienta o perigo que se tornaram as divisões dentro Egito. Nos confrontos de hoje, ao menos nove postos da polícia foram atacados. A força policial no Egito ficou abalada após a revolta no país em 2011 que derrubou do poder o líder Hosni Mubarak e desde então não se recuperou totalmente.

Dezenas de milhares de integrantes da Irmandade Muçulmana saíram às ruas nesta sexta-feira em desafio ao estado de emergência imposto pelo governo interino depois da sangrenta repressão às manifestações pela restauração da democracia no país, nas quais mais de 600 pessoas morreram.

Os manifestantes de hoje, no entanto, foram atacados por grupos de moradores armados de pedras, garrafas, pistolas e espingardas, o que deu início a tiroteios que deixaram dezenas de mortos e feridos. Acredita-se que policiais à paisana tenham atuado junto com os moradores para atacar os membros da Irmandade Muçulmana.

Das 64 mortes, pelo menos 12 ocorreram em choques na Praça Ramsés, no Cairo. Mas a violência não ficou restrita à capital egípcia. Houve confrontos também em cidades da região do Delta do Rio Nilo e em Ismailiya, no Canal de Suez.

A mobilização de hoje foi batizada como “dia da ira” e foi convocada para protestar contra a morte de 638 pessoas durante uma operação das forças de segurança para desmantelar acampamentos de protestos organizados para exigir a volta do presidente Mohammed Morsi, deposto em um golpe militar no início de julho. Fonte: Associated Press.