Uma muçulmana foi impedida de nadar em uma piscina de seu bairro usando o “burquini”, roupa de banho que cobre todo o corpo, do tornozelo à cabeça. A proibição alimentou os conflitos entre práticas religiosas e a autoridade secular na França. Funcionários afirmaram, hoje, que impediram o uso do traje islâmico por causa dos rígidos padrões de higiene nas piscinas, e não por hostilidade à cultura muçulmana. A mulher, de 35 anos, identificada apenas como Carole, convertida ao Islã, reclamou de discriminação religiosa após tentar nadar com seu burquini no subúrbio parisiense de Emerainville.

Segundo a política de higiene, os frequentadores das piscina são proibidos de usar qualquer roupa larga ou que possa ser usada na rua. “Essas roupas são usadas em público, então podem conter moléculas e vírus, que podem ir para a água e ser transmitidos a outros banhista”, disse Daniel Guillaume, o funcionário responsável pela piscinas. Segundo publicou o jornal “Le Parisien”, Carole havia comprado o burquini após decidir que ele permitiria o prazer de nadar sem se expor demais, como recomenda o Islã. “Para mim se trata apenas de segregação”, disse ela, que pretende protestar com a ajuda de grupos contra discriminação.

As roupas religiosas são uma questão problemática na França, onde burcas e outras roupas que cobrem completamente o corpo de fundamentalistas islâmicos não contam com aprovação do governo. Legisladores franceses propuseram recentemente a proibição da burca e de outras roupas muçulmanas volumosas. O presidente Nicolas Sarkozy apoia a medida, dizendo que tais roupas tornam as mulheres prisioneiras.