Grupos muçulmanos dos Estados Unidos pretendem realizar um protesto pacífico diante da igreja do pastor Terry Jones, em Gainesville (Flórida), no sábado, quando ele promete queimar cerca de 200 cópias do Alcorão. A data, neste ano, coincide com o último dia do Ramadã, mês sagrado para os islâmicos. “Nós estaremos lá. A ideia é encará-lo e mostrar que existe uma alternativa. Também tentaremos mostrar ao resto do mundo islâmico que este pastor é uma figura marginal, não representando o pensamento americano”, disse ao jornal O Estado de S. Paulo Corey Saylor, porta-voz do Conselho de Relações Islâmico-Americanas (Cair, na sigla em inglês), considerado o grupo mais representativo da população muçulmana dos EUA.

Segundo ele, muitas vezes a imprensa ocidental mostra líderes marginais do islamismo atacando o judaísmo e o cristianismo como se fossem autoridades religiosas importantes. “Não podemos fazer o mesmo. Estamos trabalhando para que os muçulmanos ao redor do mundo entendam que este é um caso isolado”, disse Saylor, advertindo, porém, que existe uma “bolha islamofóbica” nos EUA.

Citando o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, Saylor disse que episódios como o do pastor Jones e a oposição à construção do centro comunitário islâmico a dois quarteirões do Marco Zero onde estavam as Torres Gêmeas “possuem motivações políticas e devem se reduzir depois das eleições (parlamentares) de novembro”. Ele também elogiou as manifestações da secretária de Estado, Hillary Clinton, e do comandante das forças americanas no Afeganistão, David Petraeus, que condenaram a decisão do pastor na Flórida. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.