A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou nesta segunda-feira (7) que as mudanças climáticas já são responsáveis por cerca de 150 mil mortes a cada ano, causadas pela propagação mais rápida de doenças como malária, diarréia, desnutrição e infecções disseminadas durante enchentes. Mais da metade das mortes acontece na Ásia, disse o diretor regional da OMS na Ásia, Shigeru Omi. A OMS também alertou nesta segunda-feira (7) que milhões de pessoas poderão sofrer com a pobreza, doença e fome como resultados do aquecimento global e das mudanças no regime das chuvas, algo que deverá atingir de maneira mais dura os países mais pobres.

Os mosquitos transmissores da malária são o sinal mais claro que o aquecimento global começou a causar impacto na saúde humana, disse Omi. Segundo ele, agora esses mosquitos aparecem em lugares com o clima mais temperado, como a Coréia do Sul e as montanhas altas de Papua Nova Guiné.

Um clima mais quente também significa que o ciclo reprodutivo dos mosquitos fica mais breve, o que permite aos insetos uma multiplicação mais rápida. Isso aumenta ainda mais a ameaça de doenças, ele disse aos repórteres em Manila.

O número excepcionalmente alto de casos de dengue na Ásia, doença que também é transmitida pelo mosquito, pode ter acontecido por causa das temperaturas mais altas e das fortes chuvas, mas Omi disse que mais estudos são necessários para estabelecer a conexão entre doenças e mudanças climáticas.

Em Genebra, a chefe da OMS, Margaret Chan, disse que a realidade da mudança climática "não pode mais ser posta em dúvida. Os efeitos já são sentidos."

Ela citou doenças cuja maior propagação é mais sensível ao clima, como a dengue, da qual a América do Sul sofre hoje um surto, e o cólera, que atacou Angola, por causa das chuvas e enchentes. Ela também pediu mais empenho no combate à malária.

Chan disse que a questão da mudança climática e da saúde deveriam ser abordadas pelos líderes do Grupo dos Oito (G-8), os sete países mais industrializados e a Rússia, que se encontrarão no Japão no próximo mês. "Não abordar a questão do impacto da mudança climática na saúde irá arruinar o investimento já feito em apoio aos países em desenvolvimento," disse ela.

Nas Ilhas Marshall e outras nações insulares do Pacífico Sul, o aumento do nível do oceano fez com que a água invadisse as áreas mais baixas submergindo terra arável e provocando imigrações à Austrália e Nova Zelândia, disse Omi.

Ele disse que os países mais pobres com escassas reservas e sistemas de saúde enfraquecidos serão mais atingidos pelas mudanças climáticas, porque a desnutrição já aflige essas nações com os jovens, mulheres e idosos em uma situação de risco particular.

Omi disse que modelos climáticos inesperados e fora do comum – muita chuva ou muita seca – terão impacto ainda maior na produção de alimentos, especialmente nos campos de grãos que dependem de irrigação intensiva, como o arroz. Segundo ele, essas mudanças causarão mais desemprego, revolta econômica e instabilidade política.

O Dr. John Ehrenberg, conselheiro da OMS para a malária e outras doenças provocadas por parasitas, afirmou que o desenvolvimento humano descontrolado contribuiu para agravar o problema. Isso inclui o desmatamento e um nível sem precedentes de migrações para ocupações de novas áreas. Quando as pessoas se mudam e deslocam, as doenças fazem o mesmo.

Omi afirmou que os governos precisam fortalecer os sistemas e a capacidade de abastecimento, providenciando água potável, vigilância sanitária, vacinas, controle do mosquito e prontidão para lidar com desastres.