O líder Hezbollah, Hassan Nasrallah, prometeu nesta sexta-feira manter os combates nas Síria “enquanto for necessário” e afirmou que o grupo xiita libanês tomou uma decisão “calculada” de defender o regime sírio, independentemente das consequências.

As declarações de Nasrallah, feitas durante um discurso no sul de Beirute, assinalam pela primeira vez que o grupo, que tem apoio do Irã, permanecerá envolvido na guerra civil no país vizinho mesmo depois de as forças de Bashar Assad terem recapturado Qusair, importante cidade da província central de Homs, que estava nas mãos dos rebeldes.

O Hezbollah é alvo de fortes críticas, tanto no Líbano quanto no exterior, por sua decisão de enviar seus homens para Qusair. A aposta de Nasrallah na Síria decorre principalmente do interesse do seu grupo na sobrevivência do regime de Assad. O governo sírio é, há décadas, um dos mais fortes partidários do Hezbollah. O grupo militante teme que se o regime cair ele será substituído por um governo apoiado pelos Estados Unidos, que seria hostil ao Hezbollah.

Nasrallah disse que ataques verbais e de outra natureza contra o grupo militante “vai apenas servir para aumentar nossa determinação”. “Nós estaremos onde devemos estar; vamos continuar a assumir a responsabilidade que tomamos para nós”, disse Nasrallah. “Não há necessidade de detalhamento…deixamos os detalhes para as exigências do campo de batalha.”

As forças de Assad, ajudadas por combatentes do grupo militante libanês, capturaram Qusair em 5 de junho, num duro golpe para os rebeldes, que estavam entrincheirados na cidade estratégica havia mais de um ano. Desde então, o regime alterou seu foco para a recaptura de outras áreas na província central de Homs e em Alepo, ao norte.

Visivelmente irritado, Nasrallah não disse abertamente se o grupo chegaria a lutar em Alepo, mas suas palavras sugeriram que o Hezbollah está preparado para lutar até o fim. “Para nós, após Qusair será o mesmo que antes de Qusair”, disse ele. “O projeto não mudou e nossas convicções não mudaram.”

Nasrallah reiterou que a luta na Síria é contra “o projeto americano, israelense e takfir” que tem como objetivo destruir a Síria, que juntamente com o Irã é o principal patrocinador do grupo. A ideologia takfir pede que muçulmanos sunitas matem qualquer pessoa que considerem infiel. Fonte: Associated Press.