A presidente Cristina Kirchner inaugurou nesta quinta-feira as sessões no Congresso Nacional Argentino com um balanço do governo desde 2003, quando assumiu o marido dela, o ex-presidente Néstor Kirchner, morto em outubro de 2010. Vestida com o habitual luto, a presidente iniciou o discurso citando a presença do juiz espanhol Baltasar Garzón, acompanhado pelas Avós e Mães de Praça de maio, históricas organizações de defesa de Direitos Humanos no país.

Com as galerias repletas de militantes do grupo de jovens La Cámpora, liderado pelo filho Máximo Kirchner, e outros movimentos populares de apoio ao governo, Cristina foi fortemente aplaudida em cada um dos temas abordados em seu discurso. Ao destacar as vitórias de sua administração na economia, a presidente preferiu usar números do Fundo Monetário Internacional (FMI), da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal) e G-20 porque, segundo ela, “alguns confiam mais nesses indicadores do que nos argentinos”.

“Desde 2003, tivemos um dos maiores crescimentos econômicos que há na memória. Depois da Índia e China, a Argentina foi o país que mais cresceu nesses anos”, disse Cristina. Também comparou a evolução do PIB nos últimos 40 anos. “A média de crescimento econômico da Argentina destes anos foi de 7,9%, o que coloca a Argentina com o processo econômico mais importante da região”, ressaltou.

Mencionando dados do FMI, a presidente disse que o “crescimento do PIB em relação ao poder aquisitivo de um dólar em cada país, considerando a cotação do câmbio, em 2003 era de US$ 8.700 mil e hoje é de US$ 17.366 mil per capita”. Os resultados, segundo ela, não vieram por ventos externos favoráveis, mas pela política econômica consistente. Sempre citando números, a presidente repassou cada um dos setores produtivos do país e áreas do governo. E defendeu a criticada política de subsídios que, segundo ela, foi uma das responsáveis pelo “desenvolvimento e crescimento dos argentinos e de inúmeras empresas”.

“O crescimento da Argentina se explica a partir de um modelo de desenvolvimento que fez do consumo popular e a distribuição de renda suas principais bandeiras, que nos permitiu crescer”, afirmou. A presidente também se gabou de não precisar de financiamentos externos para sustentar a economia e mencionou a legislação de 2005 que “impede a chegada ao país de capitais financeiros especulativos, que evita saltos monetários que não temos tido, à margem do sistema de flutuação administrada do câmbio que temos tido com sucesso”.