Uma nova tradução oficial da Bíblia afirmará que “Adão conheceu Eva”, em lugar de “Adão se uniu a Eva sua mulher”, como meio de destacar que a união do primeiro casal humano não era ditada apenas pelo desejo sexual, mas respondia a um conhecimento total, que envolve toda a pessoa, inclusive os corpos.

A nova versão da história de Adão e Eva é somente um dos exemplos das numerosas modificações do texto bíblico, que surpreenderão os fiéis e por certo alterarão as interpretações já consolidadas da leitura do chamado Livro dos Livros, na opinião de vários especialistas em teologia.

A Conferência Episcopal italiana deve publicar em breve a nova versão oficial da Bíblia, aprovada pelo Vaticano em 2002. A tradução foi realizada por um grupo de especialistas, incumbido do meticuloso trabalho no início da década de 80.

Antecipando-se ao lançamento do novo texto, um livro escrito pelos peritos Roberto Bretta e Antonio Pitta, “Como muda a Bíblia”, revela as modificações mais significativas e explica a origem e motivos das alterações.

Com respeito aos mandamentos, por exemplo, a nova tradução destaca sua dimensão interior e os apresenta como uma promessa compartilhada entre o homem e Deus, “numa recíproca aliança”.

Na oração “Ave Maria”, o termo “Ave” (Salve, em latim) é substituído por “Alegra-te, cheia de graça”, e no “Pai Nosso” a frase “não nos deixeis cair em tentação” foi alterada para “não nos induza em tentação”.

Outra mudança que deverá provocar muita discussão, de acordo com Bretta e Pitta, diz respeito às manifestações do poder divino, que passam a ser definidas não apenas como milagres, mas também como prodígios e algumas vezes como sinais.