O Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) rechaçou neste sábado (3) qualquer ruptura territorial na Bolívia. O departamento (Estado) de Santa Cruz realiza no domingo um referendo sobre autonomia criticado pelo governo nacional boliviano. A OEA advertiu que não aceitará "qualquer tentativa de ruptura" do "respeito à ordem constitucional e à integridade territorial da Bolívia".

O conselho também expressou seu respaldo "ao povo da Bolívia, ao governo constitucional dirigido pelo presidente Evo Morales, à institucionalidade democrática e às autoridades eleitas pelo povo boliviano". O órgão ressaltou um documento enviado pelos governadores de Cochabamba, Beni Pando, Tarija e Santa Cruz, no qual afirmam o compromisso de "garantir a integridade territorial da Bolívia". A carta foi enviada no dia 30 de abril à OEA.

O ministro das Relações Exteriores boliviano, David Choquehuanca declarou-se "satisfeito" com a resolução aprovada pela OEA. "Hoje a OEA cumpriu uma missão histórica", avaliou. Choquehuanca lamentou anteriormente que Santa Cruz rejeitou o pedido para suspender o plebiscito.

Os eleitores de Santa Cruz, província mais rica da Bolívia, vão às urnas no domingo para ratificar um estatuto que declara a autonomia política e administrativa da região. Morales qualificou o documento como "ilegal" e "separatista". No sábado, a cidade de 1,4 milhão de habitantes estava tranqüila. Pesquisas apontam a vitória dos autonomistas por 70%.

Em entrevista concedida na sexta-feira (2), o presidente boliviano acusou os autonomistas de buscar espaço no governo departamental para "seguir vivendo do povo, do Estado". Ele qualificou a polêmica em torno do referendo como "luta ideológica".

Morales abriu espaço a resolução das disputas envolvendo a atual crise no país. Segundo ele, pode ser realizado um referendo sobre o projeto de Constituição aprovado em dezembro. A oposição acusa o governo de sancionar o projeto de forma ilegal.