O risco global representado pela nova variante ômicron do coronavírus é “muito alto”, alertou nesta segunda-feira a Organização Mundial da Saúde (OMS) em um relatório técnico sobre esta nova cepa do SARS-CoV-2.

Levando em consideração as altas mutações do ômicron, com potencial para torná-la mais resistente à imunização e mais contagiosa, o risco da variante ser transmitida mundialmente é “alto”, afirma o documento, redigido no domingo, mas divulgado hoje pela OMS.

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“A ômicron tem um número sem precedentes de mutações na proteína spike, algumas das quais são preocupantes por seu impacto potencial na trajetória da pandemia”, disse a OMS. “O risco global geral relacionado à nova variante de preocupação ômicron é avaliado como muito alto”, continua.

“Pode haver novas ondas de Covid-19 com graves consequências, dependendo de muitos fatores, incluindo onde estas ondas ocorrem”, antecipou o relatório, que diz ainda que casos de Covid-19 são esperados em pessoas vacinadas “embora em uma proporção pequena e previsível”.

Diante desses riscos, a OMS pede a seus Estados membros que tomem certas ações prioritárias, incluindo “acelerar a vacinação contra a Covid-19, especialmente entre a população em risco que permanece não vacinada”.

Também solicita a todos os países que aumentem as medidas de vigilância, notifiquem possíveis casos ou surtos associados à variante e que os laboratórios aumentem o trabalho de sequenciamento necessário para analisar a estrutura do coronavírus.

A OMS não recomenda de forma absoluta no relatório técnico que os voos para certas regiões sejam proibidos, observando apenas que as autoridades nacionais “devem utilizar bases científicas para ajustar em tempo hábil as medidas em torno de viagens internacionais”.

No entanto, a OMS admite que por enquanto os casos da ômicron já detectados em quatro regiões (África, Europa, Oriente Médio e Leste Asiático) estão relacionados a viagens, embora “seja de se esperar que a principal origem dos casos mude à medida que mais informações são obtidas”.

O diretor executivo da Moderna, Stephane Bancel, disse hoje em entrevista à CNBC que dados da eficácia da vacina contra a variante ômicron devem estar disponíveis dentro de duas a seis semanas.

Casos detectados em vários países

O primeiro caso confirmado da ômicron foi detectado em um espécime coletado no último dia 9 na África do Sul, e apenas dois dias depois outro com a mesma variante foi confirmado no país vizinho Botsuana.

Até o momento, a nova variante foi detectada em mais de uma dezena de países e regiões, incluindo Reino Unido, Alemanha, França, Dinamarca, Israel, Canadá, Austrália, Itália, Escócia, Portugal e Hong Kong.

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Portugal detectou 13 casos da variante ômicron do coronavírus, todos relacionados a jogadores e funcionários do time de futebol Belenenses. O zagueiro Cafú Phete testou positivo para Covid-19 depois de voltar a Portugal de uma viagem a trabalho à África do Sul.

Seis casos de infecção pela nova variante foram detectados na Escócia. As autoridades do país disseram que alguns desses casos não tinham histórico de viagens, o que indica a ocorrência de transmissão comunitária, segundo noticiou o The Guardian.

A polícia da Holanda informou que prendeu um casal que deixou o hotel onde cumpriam quarentena após ser diagnosticado com Covid-19 em tentativa de fugir do país. Segundo informação do Guardian, pelo menos uma pessoa do casal testou positivo para coronavírus ao chegar à Holanda da África do Sul. A mulher portuguesa e o homem espanhol foram detidos em seus assentos momentos antes da decolagem de um voo para a Espanha que partiu do Aeroporto de Schiphol, em Amsterdã, na noite de domingo.

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