Tudo começou com um repórter à beira de um ataque de nervos, em cadeia nacional. “Nós não queremos subsidiar as hipotecas dos fracassados! Quem quer pagar a hipoteca do vizinho que resolveu ter um banheiro a mais e não conseguiu pagar? Ninguém! O senhor está ouvindo, presidente Obama? Vamos fazer um “Tea Party” em Chicago!” O vídeo de Rick Santelli da rede CNBC, esperneando contra impostos e programas de estímulo do governo Obama, virou sucesso instantâneo no YouTube. E, diz a lenda, deu origem ao “Tea Party”.

Minutos depois do vídeo, americanos descontentes começaram a fundar, online e em casa, suas filiais do “Tea Party”. O nome é uma homenagem aos colonos americanos que, em 1773, revoltaram-se contra os impostos cobrados pelos ingleses e passaram a jogar seu chá no porto de Boston. O movimento moderno do “Tea Party” começou com um bando de fanáticos, que carregavam cartazes com fotos de Barack Obama com bigodinho de Hitler e tumultuavam discussões sobre a reforma do sistema de saúde.

Mas, em menos de um ano, o movimento transformou-se em uma força política que ameaça democratas no poder e republicanos moderados tentando se eleger. E, neste fim de semana, realizou sua primeira convenção nacional – ainda cheia de divisões, é bom que se diga.

O grupo é bastante heterogêneo. Reúne desde ativistas anti-impostos e libertários antigoverno, passando por fãs de Ayn Rand e Ronald Reagan, e até radicais contra imigração, cristãos extremistas e pessoas que acreditam que Obama nasceu no Quênia e por isso não pode ser presidente. Em comum, os “Tea Party” estão revoltados “contra tudo isso que está aí”: pacotes de estímulo do governo, déficit crescente, reforma do sistema de saúde, resgate de Wall Street e os atuais ocupantes de cargos políticos.

O movimento já deixou sua marca no cenário eleitoral. Foi com o endosso dos “Tea Party” que o republicano Scott Brown ganhou dos democratas a vaga do Senado de Massachusetts, que pertenceu ao ídolo da esquerda Ted Kennedy. Os “Tea Party” estão apoiando também candidatos ultraconservadores na Flórida e Kentucky. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.