O governo do Nepal concordou em libertar cerca de 3 mil crianças que foram recrutadas por rebeldes comunistas para juntarem-se à insurgência, informou nesta sexta-feira (5) Radhika Coomaraswamy, representante especial do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) para crianças e conflitos armados. O primeiro-ministro do país, Pushpa Kamal Dahal, concordou com a liberação de 2.975 menores que têm vivido com milhares de ex-combatentes em campos monitorados pela ONU desde o cessar-fogo de 2006, disse Coomaraswamy.

As crianças que atuaram como soldados receberão educação e orientação vocacional para ajudá-las a se reintegrarem na sociedade. Esforços serão feitos para encontrar as famílias dessas crianças e promover o reencontro, afirmou o funcionário da ONU. Segundo ele, a expectativa é que de que o processo esteja concluído até fevereiro.

Os ex-rebeldes, formalmente conhecidos como Partido Comunista do Nepal (maoísta), deixaram a luta armada em 2006 e uniram-se ao processo de paz. O grupo contestou as eleições realizadas em março de 2008 para a Assembléia Constituinte e atualmente são o maior partido político do país. Seu líder é atualmente o primeiro-ministro de uma coalizão de governo que foi estabelecida em agosto.

Durante os dez anos em que combateram as forças do governo, os maoístas foram acusados diversas vezes de recrutarem menores para juntarem-se às suas fileiras. Inicialmente, eles negaram as acusações. Espera-se que a maioria dos combatentes maiores de idade juntem-se às forças de segurança do governo, mas o processo tem sido adiado pelo principal partido de oposição, o Congresso Nepalês.