Políticos de oposição da Argentina associaram um incêndio ocorrido na madrugada deste domingo em uma sede regional do partido de oposição União Cívica Radical (UCR) à retórica agressiva do governo da presidente Cristina Kirchner.

O deputado federal Ricardo Alfonsín disse que o incêndio na cede da UCR em Olavarría é “um caso de intolerância fascista” e advertiu que “os apelos do governo à confrontação libera forças que ele não tem como controlar”.

Desconhecidos invadiram a sede da UCR na noite deste sábado, destruíram os móveis e provocaram o incêndio com as cédulas da eleição primária na qual o partido deverá escolher, em 11 de agosto, seus candidatos à eleição parlamentar de outubro. De acordo com os bombeiros, o incêndio começou às 3h da madrugada de domingo; o fato de terem sido encontrados três focos diferentes de chamas permite descartar a hipótese de que o incêndio tenha sido acidental.

“É necessário revelar quem são os responsáveis e qual é sua filiação política. Não é o único caso de intolerância fascista que o partido sofreu nos últimos meses”, disse Alfonsín, que é pré-candidato a deputado. “É hora de as pessoas entenderem que não exageramos quando dizemos que os apelos do campo governista à violência verbal, à divisão entre amigos e inimigos, à confrontação e à agressão política podem ser potencializados na sociedade. Cometem o erro do aprendiz de feiticeiro, que libera forças que mais tarde não tem como controlar”, acrescentou.

O líder da bancada de vereadores da UCR na Câmara de Olavarría, Ernesto Cladera, que é pré-candidato à reeleição, disse em entrevista ao jornal Clarín que os desconhecidos “se foram sem roubar nada, mas antes geraram dois focos de incêndio com as 80 mil cédulas que nós íamos começar a distribuir entre os vizinhos justamente hoje”. As informações são da Associated Press.