Opositores do governo sírio disseram nesta quinta-feira que estavam realizando um “recuo tático” do bairro de Baba Amr, reduto na cidade de Homs sitiado há um mês por forças do presidente Bashar Assad. Os opositores declararam que estavam ficando sem armas e que as condições humanitárias são catastróficas.

Um funcionário sírio do setor de segurança afirmou que o Exército tomou o controle total de Baba Amr nesta quinta-feira. “O Exército sírio controla todo o bairro de Baba Amr. Os últimos focos de resistência caíram”, disse ele à agência France Presse em Damasco.

Na medida em que a ofensiva contra Homs se intensificava, o principal grupo opositor sírio formou um conselho militar para organizar a resistência e enviar armas para os rebeldes, sinal da militarização sofrida pelo conflito no último ano, o que aproxima o país cada vez mais de uma guerra civil.

Um funcionário sírio disse na quarta-feira que o governo planejava uma grande ofensiva para “limpar” do bairro de Baba Amr de uma vez por todas. Ativistas relataram o agrupamento de tropas num bairro na área oeste de Homs.

A brigada rebelde de Baba Amr disse que estava se retirando para poupar cerca de 4 mil civis que insistem em permanecer em suas casas. Eles disseram que a decisão foi tomada com base no “agravamento das condições humanitárias, na fala de comida e de medicamentos, nos cortes de água, eletricidade e nas comunicações, assim como a falta de armas”.

Homs é a terceira maior cidade da Síria, com cerca de 1 milhão de habitantes. Antes do início da revolta, os ativistas estimam que cerca de 100 mil pessoas moravam em Baba Amr. Mas muitas fugiram no último ano e acredita-se que atualmente a população tenha sofrido uma considerável redução.

O cerco a Baba Amr está entre os piores registrados desde o início do levante contra o governo. A oposição controlou o local durante vários meses, mas no início de fevereiro forças do regime cercaram o bairro e começaram a fazer disparos com tanques que destruíram casas e mataram centenas de pessoas.

Muitos dos feridos não conseguiram chegar aos médicos e hospitais, o que forçou os moradores a montar clínicas improvisadas para atender o grande número de vítimas. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.