O candidato de oposição ganhou neste sábado (22) as eleições presidenciais de Taiwan com a promessa de estreitar os laços econômicos da ilha com a China, depois de oito anos de uma política de confrontação com o governo de Pequim promovida pelo atual presidente taiwanês, Chen Shui-bian.

Ma Ying-jeou, do Partido Nacionalista (Kuomintang), venceu a disputa com 58% dos votos, contra 42% de seu adversário, Frank Hsieh, do governista Partido Democrático Progressista. Dos 17 milhões de eleitores, 75% compareceram às urnas, índice considerado alto.

"As pessoas querem um governo limpo em vez de um corrupto", afirmou Ma logo após a divulgação do resultado. "Elas querem uma boa economia. Não querem brigas políticas. Querem paz no Estreito de Taiwan, não guerra." No discurso de vitória, ele pediu que a China desmantele os mísseis que tem apontados para a ilha antes que os dois lados possam iniciar negociações de paz.

Em janeiro, o Kuomintang já havia conseguido uma avassaladora vitória nas eleições legislativas, o que dará ao futuro presidente uma maioria tranqüila no Parlamento.

Os dois referendos que decidiriam se Taiwan deve ou não pleitear uma cadeira na ONU fracassaram porque não atingiram o quórum mínimo de eleitores exigido pela legislação. Mas a maioria esmagadora dos 36% de eleitores que se manifestaram sobre o tema se declarou a favor da presença de Taiwan na ONU, o que, se ocorresse, levaria à independência formal da ilha em relação à China.

A aprovação dos referendos era vista como inaceitável pelo governo de Pequim, que ameaça ir à guerra caso Taiwan declare independência.

Apesar de na prática ter um governo autônomo, sem nenhuma subordinação à China, a ilha não tem status de país perante a comunidade internacional. A maioria das nações respeita a política de "uma só China" imposta pelo Partido Comunista.

Nos dias que antecederam a eleição, Frank Hsieh tentou minar o favoritismo de Ma com a exploração dos confrontos entre tibetanos pró-independência e forças policiais chinesas.

Segundo Frank Hsieh, a aproximação de Taiwan com a China, defendida pelo nacionalista, representa uma ameaça à jovem democracia da ilha, que realizou sua primeira eleição presidencial direta em 1996. "Taiwan não é o Tibete. Também não é Hong Kong. É um país soberano e democrático", rebateu o presidente eleito. Ma defende a criação de um mercado comum entre a ilha e a China e a intensificação das relações econômicas entre os dois lados do Estreito de Taiwan.

A economia da ilha depende casa vez mais do destino da China. Nos últimos 20 anos, empresários taiwaneses investiram US$ 100 bilhões no continente, onde são donos de cerca de 70 mil empresas. Pequim aposta na crescente integração econômica para obter a reunificação "pacífica" entre os dois lados do estreito.

A vitória de Ma marca a volta ao poder do Kuomintang, o antigo arqui-rival do Partido Comunista. As duas forças se enfrentaram durante anos na guerra civil vencida pelos comunistas em 1949. Sob o comando de Chiang Kai-chek, os nacionalistas derrotados fugiram para Taiwan e fundaram a República da China – em oposição à República Popular da China de Mao Tsé-tung. Os dois lados se declaravam legítimos representantes de toda a China e defendiam a reunificação.

Em 1971, a República da China foi obrigada a ceder sua cadeira no Conselho de Segurança da ONU para a República Popular da China. Em protesto, a ilha se retirou da organização.