O papel da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na virada militar dos rebeldes líbios sobre o regime de Muamar Kadafi não se limitou aos bombardeios aéreos nem à entrega de armas aos rebeldes em Zintan. Desde abril, forças especiais de França, Grã-Bretanha e Itália estão na Líbia para auxiliar a organização dos combatentes do Conselho Nacional de Transição (CNT). Eles teriam coordenado a estratégia de tomada de Trípoli por terra, via Zintan, e mar, via Misrata.

Segundo fontes citadas pela imprensa europeia e um líder rebelde da região de Jabal Nafusah ouvido pela reportagem, a Otan orientou a inversão da ofensiva, que tentava avançar pelo leste, enfrentando resistência das forças leais a Kadafi.

A mudança de foco foi decidida com base em relatos dos rebeldes e de cerca de 90 agentes especiais estrangeiros que trabalham na Líbia. Essa presença não é segredo. Em abril, o deputado francês Axel Poniatowski, presidente da Comissão de Relações Estrangeiras da Assembleia Nacional, disse à imprensa que o CNT e a Otan precisavam ter entre 200 e 300 agentes para coordenar a ofensiva. François Baroin, então porta-voz do governo francês, confirmou o envio de “um pequeno número de oficiais para organizar a proteção de civis”.

O papel dos agentes, no entanto, foi além disso. Segundo um líder rebelde, responsável pela comunicação com a imprensa internacional, a orientação foi reforçar o front oeste, o que acabaria sendo decisivo para a tomada de Trípoli.

“Por isso recebemos vários carregamentos de armas e munições da Otan”, disse o rebelde Mokhtar Ghazduri, de 41 anos, de Zintan. Segundo o jornal Daily Telegraph, os agentes do serviços secreto britânico já têm nova missão: localizar Kadafi. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.