O presidente da Costa do Marfim, Alassane Ouattara, disse ontem que seu antecessor, Laurent Gbagbo, será processado criminalmente no país e em cortes internacionais. Gbagbo, que se rendeu na segunda-feira após um impasse de cinco meses, foi removido do Hotel Golf, onde estava preso, para um local não divulgado no interior do país. Segundo Ouattara, seus direitos serão respeitados e sua segurança está sendo feita por tropas da ONU. “As acusações serão formuladas pelo Ministério da Justiça. Haverá processos contra ele (Gbagbo) em nível nacional e internacional”, disse o presidente. “A reconciliação nacional não pode ocorrer sem justiça.”

Ouattara prometeu aos marfinenses o fim dos saques e da violência e pediu que partidários dele e de Gbagbo, que ainda travam pequenos confrontos, deponham as armas. Segundo o presidente, um novo Exército será formado. “Precisamos tornar o país e, principalmente, Abidjã mais seguros”, afirmou. “Farei tudo para que todos os marfinenses vivam em segurança. É importante sairmos bem dessa crise”, acrescentou.

A ONU recorreu ao Brasil para solucionar a falta de alimentos na Costa do Marfim. No total, 225 mil pessoas precisarão de auxílio da entidade nos próximos seis meses. O diretor do escritório do Programa Mundial de Alimentos da ONU em Abidjã, Alain Cordeil, disse à reportagem que foi até a embaixada brasileira na cidade africana em busca de uma contribuição do País. “A situação é grave, e em Abidjã é dramática”, disse.