Hoje, quinta-feira, 24 de maio de 2007. Está muito frio, geou aqui em Curitiba. Esqueci do meu gorro de lã e as orelhas doem!

Levantei com preguiça às 7h, para mais uma consulta, de rotina, com a doutora Belkiss. Minha filha Marli me acompanha e vamos tremendo de frio apanhar o ônibus para o bairro da Água Verde, onde Belkiss tem seu consultório.

O ônibus desliza pela Avenida República Argentina. É impressionante como a cidade se expandiu para aqueles lados. Tenho a impressão de que toda aquela região está tinindo, vibrando. As lembranças, como sempre, ficam me atazanando a memória. Sou saudosa daquela pequena cidade onde cresci e fico lembrando das casas pequenas e ajardinadas que eram o comum.

Uma hora depois, estamos novamente no ônibus, só que de volta para o Centro. Lá pelas tantas, um rapaz sentado em uma cadeira de rodas entra acompanhado por uma jovem. Ele roda a cadeira e pára ao meu lado. O que foi que te aconteceu? Pergunto. ?Foi tiro. De madrugada. Dentro de casa. Um assaltante de máscara. Não teve tempo de roubar nada, só roubou minhas pernas!…? Foi socorrido por um vizinho! Isto aconteceu há dois anos, e Alexandre, 21 anos, tem esperança na sua recuperação!

É… Saudade da minha pequena cidade, onde não havia muita preocupação em trancar as portas. Onde era costume ter um pequeno galinheiro nos fundos do quintal. As galinhas eram deixadas ciscando para ?limpar? antes de irem para a panela ou o forno! Onde, muitas vezes, o dono do galinheiro era alertado, no meio da noite, pelo cacarejar das penosas de que havia algum estranho por ali. E, então, as luzes da casa eram acesas para assustar o ladrão ou o dono das galinhas saía armado com alguma espingarda velha e dava uns tiros para assustar!

Também não escutamos mais a expressão ?ladrão de galinha?, como termo depreciativo.

Margarita Wasserman – Escritora e membro do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná.