O papa Bento XVI estava mais próximo de um caso de abuso sexual praticado por um padre na Alemanha do que se pensava, segundo o jornal The New York Times. Reportagem afirma que Joseph Ratzinger, quando arcebispo de Munique em 1980, foi incluído entre os destinatários de um memorando que informava a retomada das atividades pastorais de um padre que iniciara um tratamento psiquiátrico para pedofilia. O padre Peter Hullermann fora transferido a Munique dias antes, para fazer a terapia. Anos depois, foi condenado por molestar crianças.

Documentos divulgados no início do mês haviam responsabilizado o secretário pessoal de Ratzinger, Gerhard Gruber, pelo retorno do padre ao trabalho. No entanto, o documento citado pelo jornal, cuja existência foi confirmada por duas fontes da diocese, sugere que Ratzinger estava a par do retorno do padre.

Quanto interesse o papa mostrou no caso do padre pedófilo não ficou esclarecido. De acordo com o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, Ratzinger não soube da decisão de reintegrar o sacerdote. Segundo ele, qualquer outra versão é “mera especulação” e está havendo uma “ignóbil campanha” em vários locais para atingir a qualquer custo o papa. Lombardi disse que Gruber assumiu “total responsabilidade de sua própria e equivocada decisão de reintegrar o padre Hullermann na pastoral paroquial”.