Começa nesta terça-feira (19), oficialmente, o pontificado do Papa Francisco. Uma missa, realizada na Basílica de São Pedro, no Vaticano, marca o início do que, muitos, já chamam de nova era para a Igreja Católica.

Circulando no papamóvel, o papa Francisco pôde ser visto hoje (19) de perto, durante cerca de 20 minutos, por quem estava na Praça São Pedro. Sorridente, o papa acenou e, em alguns momentos, abençoou os fiéis. Houve peregrinos que passaram a noite nas áreas próximas à praça para garantir um lugar próximo ao local por onde o papa passaria. Os portões só foram abertos às 5h30 (1h30 de Brasília).

O papa desceu do automóvel para beijar e dar a bênção a um deficiente físico que estava no colo de um homem. Francisco fez um carinho no braço do deficiente. Ele também beijou crianças que foram levadas até ele e as abençoou. Do alto do papamóvel, Francisco conversou com alguns fiéis. Ele não se sentou em nenhum momento.

O clima de emoção e fé contagiou os arredores da Praça São Pedro. Alguns fiéis levaram objetos para serem benzidos pelo papa. Terços e cruzes eram vistos nas mãos dos peregrinos. O papa desfilou entre os fiéis por cerca de 20 minutos. Os sinos tocaram enquanto Francisco podia ser visto pelos fiéis.

O papamóvel passou por áreas limitadas dentro da Praça São Pedro. As pessoas ficaram isoladas por cercas de ferro guardadas sob rigoroso esquema de segurança. As bandeiras latino-americanas, inclusive a do Brasil, destacavam-se em meio à multidão.

Pelos cálculos de seguranças do Vaticano, apenas na Praça São Pedro cerca de 300 mil pessoas concentraram-se para a cerimônia que marca o início do pontificado do papa Francisco. Nos arredores da praça, mais 200 mil, de acordo com os seguranças. Em uma visão aérea, a impressão é que só havia espaços vazios destinados ao papamóvel.

Conversa política

Dirigindo-se, como de costume, aos cardeais e fiéis chamando-os de “queridos irmãos e irmãs”, o papa Francisco apelou aos líderes políticos para que sejam responsáveis. Ele usou as expressões “por favor”  e “pedir” ao se dirigir aos líderes para que assumam o papel de “guardiões”, afastando os riscos de destruição e morte no mundo.

O apelo ocorreu na missa que marca o começo de seu pontificado. Francisco pediu ainda que todos mantenham a esperança, mesmo nos momentos mais difíceis. Citou várias passagens bíblicas e mencionou repetidas vezes a palavra “responsabilidade”.

“Queria pedir, por favor, a quantos ocupam cargos de responsabilidade em âmbito econômico, político ou social, a todos os homens e mulheres de boa vontade: sejamos ‘guardiões’ da criação, do desígnio de Deus inscrito na natureza, guardiões do outro, do ambiente; não deixemos que sinais de destruição e morte acompanhem o caminho deste nosso mundo”, disse Francisco.

Pelo menos 132 países enviaram delegações. A presidenta Dilma Rousseff participou da missa acompanhada por uma comitiva de ministros e assessores. Também estavam presentes 32 líderes de distintas religiões, segundo o Vaticano.

O papa reiterou ainda que há sentimentos, como o ódio, a inveja e o orgulho, que “sujam a vida”. “Lembremo-nos de que o ódio, a inveja, o orgulho sujam a vida. Guardar quer dizer vigiar sobre os nossos sentimentos, o nosso coração, porque é dele que saem as boas intenções e as más: aquelas que edificam e as que destroem”.

Para Francisco, os líderes e os que são guiados por eles não devem temer a bondade. “Não devemos ter medo da bondade, nem mesmo da ternura”, ressaltou. “Cuidar, guardar requer bondade e requer ser praticado com ternura.”

Ao ler a passagem bíblica do Livro de Romanos, o papa mencionou a necessidade de manter a esperança viva. “S&ati,lde;o Paulo fala de Abraão, que acreditou  ‘com esperança, para além do que se podia esperar’”, disse ele. “Também hoje, perante tantos momentos de céu cinzento que há necessidade de ver a luz da esperança e de darmos nós mesmos a esperança”, acrescentou.

Francisco recomendou que todos se tornem guardiões uns dos outros. Segundo ele, para por em prática o conselho é necessário assumir a sinceridade como premissa.  “É viver com sinceridade as amizades, que são um mútuo guardar-se na intimidade, no respeito e no bem”, disse ele. “Sede guardiões dos dons de Deus.”

O papa ressaltou que quando o homem falha, ele abre espaço para que forças negativas dominem. Ele citou como exemplo o rei Herodes, mencionado na bíblia, como aquele que perseguiu judeus e seus filhos.

“Quando o homem falha nesta responsabilidade, quando não cuidamos da criação e dos irmãos, então encontra lugar a destruição e o coração fica ressequido. Infelizmente, em cada época da história, existem ‘Herodes’, que tramam desígnios de morte, destroem e deturpam o rosto do homem e da mulher”, disse Francisco.

O papa lembrou dos ensinamentos de São Francisco de Assis. “É ter respeito por toda a criatura de Deus e pelo ambiente onde vivemos. É guardar as pessoas, cuidar carinhosamente todas elas e cada uma, especialmente, as crianças, os idosos, aqueles que são mais frágeis e que muitas vezes estão na periferia do nosso coração”, destacou Francisco.

Francisco encerrou a missa com um pedido, que se transformou em sua marca. “Peço a intercessão da Virgem Maria, de São José, de São Pedro e São Paulo, de São Francisco, para que o Espírito Santo acompanhe o meu ministério, e, a todos vós, digo: ‘Rezai por mim!’ Amém”.