O governo do Paquistão colocou neste sábado (14) seu Exército de prontidão antes de uma grande manifestação da oposição programada para esta segunda-feira em Islamabad, capital, e que coloca em risco os esforços que vêm sendo feitos para evitar o alastramento do extremismo islâmico. Em outro sinal de desgaste do atual governo alinhado com o Ocidente, a ministra da Informação, Sherry Rehman, anunciou sua renúncia, após a rede de TV privada Geo acusar o governo de responsável por bloquear a programação em várias cidades, que inclui noticiário sobre os preparativos para a manifestação.

A Geo diz que o presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, ordenou as restrições, o que foi negado pelo porta-voz do governo, Farhatullah Babar. Rehman não explicou o motivo da renúncia e o sinal da TV parecia restabelecido neste sábado na maior parte das cidades. As autoridades tentam evitar que advogados e seguidores do líder oposicionista Nawaz Sharif reúnam-se em Islamabad para uma manifestação em massa prevista para acontecer em frente ao Parlamento, o que, argumentam as autoridades, paralisaria o governo e favoreceria a atuação de terroristas.

 

Neste sábado, o presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, propôs negociar uma solução ao atrito gerado no mês passado pela retirada do partido de Sharif do poder de Punjab. Mas os organizadores da manifestação pretendem desafiar o governo, o que pode resultar em violentos confrontos, colocando o país nuclearmente armado novamente em convulsão, um ano após as primeiras eleições democráticas que encerraram anos de governo militar.

A polícia deteve temporariamente vários ativistas pelo país, incluindo cinco pessoas reunidas com centenas de advogados e seguidores de Sharif na cidade central de Multan. “Até agora nossa atitude é pacífica, mas podemos mudar esta estratégia”, disse o líder do movimento dos magistrados, Ali Ahma Kurd, em Quetta, após as autoridades terem evitado que embarcasse em um voo para a Lahore, cidade do oeste. “Quando um caminho é bloqueado, Deus abre 100 outros e chegaremos a Lahore e então a Islamabad”, disse Kurd, cujo comboio foi desfeito pela polícia.

O conflito nasceu da recusa de Zardari em aceitar as demandas dos parlamentares de oposição e de alguns partidos políticos para reinstalar um grupo de juízes demitidos por Pervez Musharraf, líder militar antecessor de Zardari. A crise aprofundou-se no mês passado quando a Corte Suprema cassou seus direitos políticos. Furioso, Sharif, considerado um dos políticos mais populares, juntou-se à manifestação que já vinha sendo programada pelos magistrados e ativistas desde o meio da semana passada.