A responsabilidade por melhorar o abalado relacionamento entre China e Estados Unidos é do governo de Washington, afirmou o ministro das Relações Exteriores de Pequim, Yang Jiechi.

“Os Estados Unidos deveriam tratar de maneira apropriada as questões sensíveis e trabalhar com o lado chinês para recolocar o relacionamento China-Estados Unidos no trilho do desenvolvimento estável”, ressaltou.

Segundo ele, o anúncio da venda de armas a Taiwan e o encontro entre o líder tibetano Dalai Lama e o presidente Barack Obama geraram “sérias perturbações” no relacionamento bilateral e cabe aos norte-americanos reverterem a situação.

Yang reafirmou a posição de Pequim em favor da continuidade da negociação diplomática em torno do programa nuclear do Irã, o que contraria os Estados Unidos, principais defensores da aplicação de sanções ao país islâmico.

“Como todo o mundo sabe, pressão e sanções não são a melhor maneira de avançar na solução da questão nuclear iraniana e não podem solucionar o problema de maneira fundamental”, observou Yang, durante entrevista coletiva concedida dentro da programação do encontro anual do Congresso Nacional do Povo, em Pequim.

A China é um dos cinco membros permanentes – e com poder de veto – do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), organismo que possui a atribuição de analisar as sanções contra o Irã. Os outros quatro são: Estados Unidos, Inglaterra, França e Rússia. O três primeiros são claramente a favor da aplicação das sanções e os russos indicaram que devem seguir o mesmo caminho, o que deixaria a China isolada.

O ministro ressaltou que seu país atribui enorme importância às relações com Washington e que a questão ultrapassa os laços bilaterais. “O saudável relacionamento entre a China e os Estados Unidos não é apenas do interesse dos dois países e seus habitantes, mas também conduz à paz, estabilidade e desenvolvimento da região e do mundo.”

O governo de Pequim reafirmou suas posições na semana passada em encontros com o vice-secretário de Estado norte-americano, James Steinberg, e o conselheiro para Ásia da Casa Branca, Jeffrey Bader, que foram à China com a tarefa de tentar amenizar a tensão no relacionamento bilateral.