A Igreja Católica no México recomenda às mulheres que não usem minissaias. Para a instituição, a pouca roupa provoca violência sexual.

As recomendações do sacerdote Sergio G. Román aparecem em uma publicação na internet destinada a preparar os católicos para o VI Encontro Mundial das Famílias, previsto para o ano que vem, na Cidade do México.

“Quando exibimos nosso corpo sem recato, sem pudor, o prostituímos porque provocamos nos demais sentimentos sobre nós aos que não têm direito”, escreveu Román.

Desde sua divulgação online, colunistas de jornais mexicanos têm satirizado o artigo. Defensores dos direitos das mulheres denunciaram o texto.

Um pequeno grupo de mulheres vestidas com minissaias e blusas decotadas protestou no domingo, em frente à catedral da capital mexicana durante a missa. Elas levavam cartazes com dizeres como: “Vestida ou nua, sou a mesma.”

Para a escritora Guadalupe Loaeza, caso a palavra do sacerdote seja levada a sério, um eventual agressor sexual poderia simplesmente atribuir a culpa à vítima.

“Aos violadores, aos agressores sexuais, concede-lhes a permissão para declarar ‘Pois ela estava de minissaia'”, argumentou.

Guadalupe lembrou que a sociedade mexicana é bastante receptiva ao que diz a Igreja Católica. “Por isso é tão perigoso esse tipo de declaração por parte da Igreja.”

Para a arquidiocese, as palavras do religioso foram “distorcidas”. Segundo o órgão, o artigo somente tentava proporcionar um “guia moral para a comunidade católica”.

As afirmações de Román ecoam comentários similares de autoridades da América Latina e do Caribe. Na semana passada, um superintendente da polícia da Jamaica pediu às mulheres que se vistam de forma mais recatada, para que se reduzam os casos de violência sexual. As informações são da Associated Press.