Os partidários do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, já não marcham todos os dias pelas ruas para exigir o retorno de seu líder ao poder. Ao invés disso, eles se dispõem a vencer as eleições de 2014, quando pretendem escolher uma Assembleia Constituinte e modificar a lei fundamental do país.

“Encerramos esse capítulo de lutas nas ruas após a decisão do Congresso de não restituir Zelaya, o que foi um golpe no ânimo de nossa gente”, disse hoje o líder da Frente Nacional de Resistência contra o Golpe de Estado, Juan Barahona. “Já não pedimos o regresso de Zelaya, porque no dia 27 de janeiro, vence seu mandato de quatro anos e um novo governo de Porfirio Lobo vai assumir. Mas nossa luta é pela Constituinte”, afirmou Barahona.

Ontem, o Congresso se recusou a restituir Zelaya, refugiado na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa desde 21 de setembro, após voltar secretamente à capital. A votação dos 128 deputados teve 111 votos contra a volta de Zelaya e 14 a favor. Três deputados não participarão da sessão.

Dessa forma, o Congresso cumpriu o quinto ponto do Acordo Tegucigalpa-San José, negociado por Zelaya no dia 30 de outubro com o presidente interino Roberto Micheletti, com o aval dos Estados Unidos e da Organização dos Estados Americanos (OEA). Lobo, do opositor Partido Nacional, venceu seu adversário liberal Elvin Santos nas eleições gerais do domingo.

Em sua maioria, os partidários de Zelaya são integrantes do Partido Liberal. Eles permaneceram nas ruas por 159 dias consecutivos desde 28 de junho, quando os militares invadiram a casa de Zelaya e, sob a mira de um revólver, retiraram o presidente de pijamas e o enviaram para a Costa Rica por causa de sua tentativa de modificar a Constituição, que não permite a reeleição presidencial. Para esse grupo, o país precisa de uma Constituição democrática e popular.