Milhares de partidários do Hezbollah lotaram um estádio no sul do Líbano hoje, em Bint Jbeil, uma cidade próxima à fronteira com Israel, onde esteve o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. O mandatário iraniano fez um discurso no qual afirmou que o Estado de Israel é mais fraco que “uma teia de aranha”.

Bint Jbeil fica a 4 quilômetros da fronteira com Israel e é chamada de “capital da resistência”, porque foi um centro de operações do grupo xiita Hezbollah e de outros partidos da resistência libanesa contra a ocupação militar de Israel no sul do Líbano, que durou de 1982 a 2000. Ahmadinejad também visitou o vilarejo de Qana, onde um ataque aéreo israelense matou dezenas de civis libaneses em 2006. O líder iraniano recebeu uma calorosa recepção dos moradores do sul libanês, em grande parte islâmicos xiitas.

O porta-voz do governo de Israel, Mark Regev, criticou a viagem. “O domínio do Irã sobre o Líbano, através do seu protegido, o Hezbollah, destruiu qualquer chance de paz, transformou o Líbano em um satélite iraniano e numa rede de terrorismo e instabilidade regionais”, afirmou Regev.

Ahmadinejad tenta mostrar na visita ao Líbano, que começou ontem em Beirute, que o Irã é aliado de todos os libaneses, não apenas dos xiitas. Os laços do Irã com o Hezbollah datam de mais de 30 anos. Teerã financia o Hezbollah, o qual recebe milhões de dólares por ano do governo iraniano, e acredita-se que o Irã também entregue armamentos ao grupo xiita. Outro partido xiita libanês, o Amal, que era mais importante na década de 1980, também foi financiado pelo Irã. Nas áreas de maioria xiita do Líbano, no sul do país, no Vale do Bekaa e no subúrbio sul de Beirute, o Hezbollah exerce poderes como se fosse um estado dentro do Estado.

Mas a chegada de Ahmadinejad aumentou os temores em meio ao conjunto dos libaneses, particularmente muçulmanos sunitas e cristãos. Eles temem que o Irã imponha sua vontade sobre o Líbano e possivelmente leve o país a uma nova guerra contra Israel.