Resultados oficiais divulgados na noite desta quinta-feira mostram que o partido islâmico da Tunísia, o Ennahda (Hizb al-Nahda, Partido da Renascença) obteve 41,47% dos votos e ficou em primeiro lugar nas eleições que definiram as 217 cadeiras da Assembleia Constituinte da Tunísia.

O Ennahda obteve 90 das 217 cadeiras na Assembleia que escreverá uma nova Constituição para o país e terá mandato de um ano, informa a agência France Presse (AFP). O Ennahda também deverá indicar o primeiro-ministro e formar um governo de transição, disse o chefe da comissão eleitoral da Tunísia, Kamel Jendoubi.

O partido secular de esquerda Congresso para a República (CPR), ficou em segundo lugar com 13,2% dos votos, ao conquistar 30 cadeiras. O partido centrista secular Ettakatol ficou em terceiro lugar com 21 cadeiras, ou 9,68% dos votos.

Banido durante o regime do governante autoritário Zine El Abidine Ben Ali, nas décadas de 1990 e 2000, o Ennahda saiu da clandestinidade em março, dois meses após o ditador ser derrubado pela primeira revolução popular que aconteceu neste ano em um país árabe. Na quarta-feira, o Ennahda e o CPR anunciaram o começo das negociações para formar uma coalizão de governo.

Analistas políticas ressaltam que mesmo com os 41%, o Ennahda não será capaz de ditar sua agenda à Assembleia e precisará formar uma coalizão com os seculares para governar. Embora conservador, o Ennahda disse que não irá retirar direitos das mulheres tunisinas e também afirma que não possui uma agenda para islamizar a Tunísia, considerada um dos países árabes mais ocidentalizados. No começo da manhã de hoje, o Ennahda também fez uma reunião com banqueiros e empresários do mercado financeiro para garanti-los sobre suas intenções moderadas.

As informações são da Dow Jones.