Com sua popularidade enfrentando queda, o primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, passou a falar menos sobre sua intenção de aumentar impostos, antes das eleições parlamentares de amanhã. A disputa eleitoral é vista como um referendo sobre os dez meses no poder do Partido Democrático do Japão (PDJ). Hoje, candidatos ainda faziam campanha, viajando em vans e usando alto-falantes para convencer a população a apoiá-los. Na disputa estará em jogo metade das 242 cadeiras da Câmara Alta. Não estará em disputa, porém, a Câmara Baixa, que tem mais força e é o órgão que elege o primeiro-ministro.

Pesquisas recentes mostram que o PDJ deve perder cadeiras na Câmara Alta. Isso pode complicar a capacidade do partido de aprovar leis e ainda resultar na necessidade de a coalizão governista buscar novos parceiros. O PDJ chegou ao poder em agosto passado, prometendo cortar gastos e levar mais transparência à política japonesa. Com isso, encerrou um domínio de 55 anos do conservador Partido Liberal Democrata (PLD) no país. Até agora, os resultados são variados. Houve um freio em projetos considerados muito dispendiosos, mas o primeiro-ministro inicialmente eleito, Yukio Hatoyama, desapontou os eleitores ao não cumprir a promessa de campanha de retirar a base militar norte-americana de Okinawa. Além disso, Hatoyama se viu envolvido em um escândalo de financiamento eleitoral e renunciou.

Kan, um ex-ministro das Finanças respeitado, teve uma boa aprovação inicialmente, ao assumir há um mês. Ele argumenta que o Japão precisa de medidas agressivas para reduzir o déficit público e os efeitos do envelhecimento da população. Porém a sugestão dele de que o país aumente o imposto sobre consumo nos próximos anos fez o governo perder popularidade. Nos últimos dias, Kan mudou um pouco o discurso, prometendo que não aumentará os impostos até a próxima eleição na Câmara Baixa, marcada para 2013. Também passou a falar mais sobre meios de se promover o crescimento econômico e o bem-estar social.

Atualmente, o PDJ e outra sigla da coalizão, o Novo Partido do Povo, mantêm uma leve maioria na Câmara Alta, com 122 cadeiras. Kan pretendia que seu partido levasse 54 cadeiras amanhã, para manter o número que tem agora, mas pesquisas divulgadas em jornais japoneses sugerem que o PDJ fique com cerca de 50 cadeiras. O PLD deve ficar com mais cinco cadeiras, chegando a 76. O interesse do público nas eleições não tem sido grande, por causa da Copa do Mundo, na qual o Japão teve desempenho melhor que o esperado, e por um escândalo envolvendo o sumô, um esporte bastante tradicional no país. Nas últimas semanas, as redes locais de TV dedicaram mais tempo ao escândalo no sumô do que à eleição, e muito mais tempo ainda à Copa do Mundo, segundo cálculos divulgados pelo jornal Mainichi.