Alberto Melnechuky?Moreno, alto, bonito, sensual… Realize seu sonho sexual…? E por que não? pergunta-se Cris, uma jovem senhora de 37 anos, de formas arredondadas, vestindo um pretinho básico pra lá de ousado. Examina-se no espelho, dá um último retoque no batom e, montada no salto, apanha o carro e toma o rumo de Santa Felicidade. Passa pelo mais italiano bairro de Curitiba e chega no bem menos conhecido Butiatuvinha, onde fica o castelo de sonhos de centenas de mulheres. Lá, Cris encontra os ?príncipes encantados? que sempre quis. É um mundo de fantasias apalpáveis, tocáveis e até beijáveis.

Um seleto grupo de musculosos e belos garotos está à espera dela e de quem mais chegar. É noite de quinta-feira, dia de show e ousadia no Clube para Mulheres, um reduto feminino onde os papéis se invertem. O homem é o objeto de cobiça e desejo de mulheres descoladas, atrevidas e abonadas.

O que acontece no Clube para Mulheres é o que o leitor do Paraná-Online vai conhecer, a partir de hoje, em uma reportagem especial, dividida em três capítulos, que desvendará os bastidores deste castelo de ilusões.

Liberdade e ousadia

A década de 60 foi marcada pelo grito de liberdade do sexo feminino. As mulheres aderiram à minissaia, experimentaram e aprovaram a pílula e queimaram sutiãs em praça pública. Mais de 40 anos depois o que se vê são os resultados dessa libertação. Hoje, elas ocupam cargos importantes em empresas, chefiam famílias, têm o poder de decidir se querem ou não ter filhos (e podem decidir tê-los sozinhas, a chamada produção independente). Buscam a felicidade sem temer preconceitos. Se estão insatisfeitas com o casamento, separam-se, escolhem novos companheiros ou optam por ficar sozinhas. O sexo deixou de ser tabu.

As mulheres já não abrem mão do orgasmo e se dão ao luxo até de pagar pelo prazer, sem vergonha alguma. Nesse rebuliço todo, o homem perdeu a exclusividade de freqüentar boates para shows de strip-tease ou pagar uma garota de programa para fazer ?loucuras? na cama. Elas também têm esse poder e adquirem, com cada vez mais facilidade, o ?homem-objeto?, que pode ser ?usado? e descartado. A máxima machista de que ?lavou tá novo?, também é, agora, usada por elas.

Sucesso

Atento à mudança do comportamento feminino, há 16 anos o empresário Maurício Camargo resolveu investir no mercado da sensualidade e inaugurou em Curitiba – tida como a mais sisuda das capitais – o Clube para Mulheres. Todas as quintas-feiras a casa, situada em uma região discreta do bairro Butiatuvinha, no limite com Santa Felicidade, lota. O que acontece ali dentro é a prova de que o céu é o limite para muitas.

Só assistir ao show dos striperrs já é diversão garantida. Mas, para algumas isso não basta. É preciso tocá-los e ser tocadas. Porém, a regra é clara: vale sensualidade sem descambar para a vulgaridade.

As freqüentadoras desse ?Clube da Luluzinha? moderno são mulheres bem resolvidas, independentes e que topam gastar no mínimo R$ 40,00 por algumas horas de diversão.

É o preço da entrada (R$ 15,00) e algumas cervejas. Às quintas-feiras, entre 80 e 120 mulheres, com idades que variam dos 18 aos 80 anos, assistem ao show. Para satisfazer a freguesia, o cardápio de fantasias é variado. Os garotos se travestem de policiais e ?bad boys?, os preferidos das mais ousadas. Para as românticas, tem o ?Fantasma da Ópera?. Há ainda o ?Marinheiro?, o ?Malandro?, o ?Bombeiro?, o ?Mecânico?, o ?Operário? e muitos outros.

Independentemente da fantasia, neste lugar as mulheres vão à loucura e o fetiche pode deixar os limites do clube e terminar em um quarto de motel.

O show vai começar!!!

São 22h. As cadeiras estão colocadas lado a lado, formando um círculo diante do palco. As mulheres começam a chegar, acompanhadas de uma ou mais amigas. Com roupas sensuais, barrigas, pernas à mostra e decotes generosos, elas indicam que vão comandar a noite.

Luzes coloridas se movimentam com o ritmo da música e compõem o clima de sedução. Nesta quinta-feira elas assistirão ao show de 12 striperrs, previamente selecionados pelo organizador do evento.

Os striperrs recepcionam as convidadas e aplicam a terapia do abraço, com toques calorosos indicando que a noite será quente. Ainda vestindo calça jeans e camiseta eles já causam um frenesi na mulherada. Desfilam, cumprimentam, abraçam e dão atenção a todas. Mas, é claro, as freqüentadoras mais assíduas são as mais paparicadas.

As luzes se apagam e ao som de It´s Raining Man, Roger, Max, Márcio e outros nove garotos são anunciados e ocupam os palcos suspensos, envoltos por grades – como se fossem ?gaiolas? – espalhados pelo salão. Elas gritam, batem palmas e os garotos, que ainda estão usando jeans e camiseta, começam a dançar. Eles ficam sozinhos por pouco tempo. Escolhem algumas freqüentadoras e as convidam para alguns minutos de puro prazer, aos olhos de todos. O que se vê é um show de extrema sensualidade. As mãos deles passeiam pelos corpos delas e vice-versa. Roçam em seios, bumbuns e coxas. De costas, elas são abraçadas por eles. Os corpos se tocam sem pudor. A expressão delas é de puro êxtase. Nessa altura do campeonato, os R$ 15,00 pagos pela entrada já valeram a pena.

Duas músicas se passam e os garotos dão um beijinho no rosto da mulher com quem dançaram. É o sinal de que o tempo dela acabou. É hora de ceder o lugar a outra freqüentadora. Porém, a mulher que é gentilmente dispensada não perde tempo, e logo pula para outra ?gaiola?.

O ?aquecimento? dura até a meia- noite. Depois da libido aflorada, o apresentador toma o microfone e anuncia o início da segunda parte da brincadeira: é hora dos striperrs.

Ele pede que todas se sentem e as orienta que, durante as apresentações, é proibido invadir a pista. Elas seguem as regras e a festa pega fogo!

*Na edição de amanhã, o leitor saberá como é o show de strip-tease masculino e a reação da platéia, que grita mais do que em clássico Atletiba.