Pescadores franceses bloquearam hoje mais um depósito de combustível da empresa Total, intensificando a greve que já dura uma semana e desafia o governo do presidente Nicolas Sarkozy. Ontem, o governo da França enfrentou uma grande paralisação dos meios de transporte e de servidores públicos, que se opõem às reformas previstas por Sarkozy. Os pescadores, que exigem uma redução nos preços de combustíveis, já bloquearam outros dois depósitos da Total.

Segundo informações de funcionários da empresa francesa, os pescadores usaram arame farpado para fechar o acesso ao depósito da refinaria de Gronfreville, na Normandia. Até agora, no entanto, o bloqueio dos três depósitos não afetou o abastecimento de combustível no país.

Cerca de 30 barcos de pesca saíram hoje do porto de Boulogne para bloquear o tráfego marítimo numa parte do Canal da Mancha. Os pescadores afirmam que entrarão em falência se não conseguirem um abatimento de 50% no preço do diesel, que custa hoje ? 0,80 (oitenta centavos de euro) o litro.

Na quarta-feira, o governo francês ofereceu uma ajuda de ? 110 milhões (US$ 173 milhões), mas a oferta foi rejeitada pelos pescadores. "O que queremos é pagar ? 0,40 o litro do diesel, nada mais nos satisfará", afirmou David Bourrel, pescador de Paimpol, logo após um encontro com ministro da Agricultura e Pesca, Michael Barnier.

A pesca na França emprega atualmente cerca de 24 mil pessoas, além de criar outros 70 mil empregos relacionados ao setor. Enfrentando forte concorrência dos produtos importados, os pescadores franceses têm dificuldade em repassar para o consumidor a alta do preço do diesel.

Com seu índice de popularidade em baixa – em boa parte pelo descontentamento da população com o baixo poder aquisitivo -, as recentes greves dificultam ainda mais os planos de reformas econômicas e sociais de Sarkozy na França. Ontem, pelo menos 300 mil pessoas saíram às ruas em 153 protestos em todo o país.