A coalizão apoiada pelo presidente Petro Poroshenko deve manter o controle do centro e do oeste da Ucrânia. Divulgadas nesta segunda-feira, 26, pesquisas de boca de urna das eleições locais, realizadas no domingo, apontam para vitória do grupo governista apesar do descontentamento da população com o atual presidente.

Entretanto, no sul e no leste, o Bloco de Oposição conseguiu a maioria dos votos. O grupo é formado por antigos membros do Partido das Regiões, do ex-presidente Viktor Yanukovych, deposto no começo de 2014 após uma série de protestos populares.

O Comitê das Eleições Centrais disse que recebeu as contagens de apenas 30% dos votos até a manhã desta segunda-feira. Isso reflete o desafio em se calcular os resultados das eleições para mais de 10.700 conselhos locais e prefeituras.

As eleições de domingo foram realizadas em todo o país, exceto em parte das regiões de Donetsk e Luhansk controladas por rebeldes apoiados pela Rússia. Em áreas ao leste que foram reconquistadas pelo governo ucraniano, alguns separatistas foram candidatos pelo Bloco de Oposição.

O partido de Poroshenko e outros de sua coalizão esperavam expandir o controle com as eleições locais, mas ficou provado que isso não é algo fácil, comentou o analista político Vladimir Fesenko. “A disposição de forças mostra que o país está dividido”, disse.

As eleições também testaram a força das oligarquias ucranianas, acostumadas com o domínio em suas próprias regiões.

Em Mariupol, cidade exportadora de aço localizada às margens do Mar de Azov, as eleições foram canceladas no domingo por causa de suspeita de influência do empresário Rinat Akhmetov, homem mais rico da Ucrânia e dono de indústrias importantes para a economia da cidade. A comissão eleitoral local se recusou a aceitar as cédulas de votação porque elas foram fabricadas por uma das companhias de Akhmetov, apoiador do Bloco da Oposição.

Conflitos políticos também levaram a adiamento das eleições em outras duas cidades ao leste, Krasnoarmiisk e Svatovo. Ainda não há nova data para as votações nessas cidades. Fonte: Associated Press.