O presidente chileno Sebastián Piñera visitou hoje as zonas devastadas pelo terremoto e tsunami que arrasaram a região central do país há um mês. Durante a visita, ele antecipou que o Chile terá um plano de reconstrução de moradias “monumental”. O plano de cerca de US$ 15 milhões deverá favorecer 200 mil famílias, segundo ele.

O anúncio de Piñera foi feito neste sábado em Concepción, 500 km ao sul de Santiago, uma das áreas mais devastadas no país. Cerca de 200 mil residências foram destruídas ou danificadas pelo terremoto que atingiu o Chile em 27 de fevereiro, que provocou a morte de 342 pessoas. Noventa e sete pessoas ainda estão desaparecidas.

“O governo não somente tem um plano de reconstrução. Mas tem um plano que está a plena marcha”, afirmou Piñera, refutando assim as críticas que vem recebendo pela demora em entregar projetos de reconstrução. Ele ressaltou, reforçando a fala de alguns de seus ministros dias atrás, que este plano para o setor habitacional entregará 40 mil moradias de emergência e mais 20 mil tendas de campanha para enfrentar a próxima temporada de inverno. Apesar de o anúncio do plano só ocorrer na próxima semana, o mandatário antecipou que será feita a entrega de um bônus para a aquisição de materiais de construção às famílias que perderam ou tiveram suas residências danificadas.

Piñera participou de uma vigília das 03h34, hora em que se registrou o terremoto de magnitude 8,8. Ainda hoje, ao meio-dia no horário local, participou de uma missa ao ar livre.

Uma pesquisa do jornal La Tercera realizada esta semana mostra que 64% dos entrevistados consideram que a atuação de Piñera para enfrentar a catástrofe foi de boa a muito boa nas duas semanas de governo. Um mês depois da tragédia que arrasou o Chile, a maioria dos serviços básicos foi restabelecida, milhares de toneladas de escombros também já foram retiradas das ruas, porém persiste um temor latente na população sobre as constantes réplicas de tremores. Os registros sismológicos contabilizaram, somente neste mês, quase 500 réplicas, das quais 17 superaram 6 graus de magnitude. Ontem, foi registrado um tremor de 6,2 de magnitude na região de Atacama, 820 km ao norte da capital chilena, provocando pânico na região.

O governo direitista de Piñera tem sido criticado pela oposição de centro-esquerda pela demora em anunciar os planos de reconstrução após o terremoto. Cálculos governamentais apontam que serão necessários US$ 25 bilhões para reconstruir o país. O setor público deve investir US$ 9,33 bilhões, segundo as estimativas oficiais. As informações são da Associated Press.