Piratas transferiram o superpetroleiro saudita para o mar aberto, após um grupo extremista islâmico ameaçar combatê-los por terem tomado uma embarcação de um país muçulmano, informaram nesta terça-feira (25) testemunhas.

A BBC contatou um pirata a bordo. Segundo a fonte, os proprietários do navio ainda não fizeram contato e não foi estabelecido o valor do resgate. “Nós capturamos a embarcação por um resgate, claro, mas não temos ninguém confiável para negociar diretamente sobre isso”, afirmou o pirata, que se identificou apenas como Daybad.

O Sirius Star foi capturado em 15 de novembro e leva US$ 100 milhões em carga, de 2 milhões de barris de petróleo. O capitão do Sirius Star, Marek Nishky, disse que ele e a tripulação não tinham reclamações a fazer e que puderam falar com seus familiares. Na sexta-feira, o grupo islâmico Al-Shabab ameaçou combater os piratas. O líder de um clã, Abdisalan Khalif Ahmed, afirmou hoje que o navio se moveu 45 quilômetros, de modo a ficar 50 quilômetros distante da costa somali, na direção da vila de Harardhere. “Talvez os piratas estejam com medo que os islamitas na cidade frustrem seus esforços para reabastecer o navio”, disse Ahmed.

A Somália é um país empobrecido e sem um governo de fato desde 1991. O país sofre também com uma insurgência islâmica, que ameaça derrubar o governo apoiado pela Organização das Nações Unidas (ONU). Houve pelo menos 96 ataques dos piratas até agora neste ano em águas somalis, com 40 embarcações capturadas. Quinze embarcações, com perto de 300 tripulantes, estão sob controle dos piratas, que ancoram a leste ou sudeste enquanto negociam os resgates.

Espanha

Nesta terça, a ministra da Defesa da Espanha, Carme Chacón, anunciou que seu país contribuirá com uma fragata com 200 tripulantes para o esforço da União Européia, a fim de evitar a pirataria em águas somalis. As patrulhas da UE devem começar em dezembro e o capitão da fragata deve passar a comandar a missão européia em abril. Segundo Carme, o país também contribuirá no futuro com uma embarcação para reabastecimento de outros navios, com 114 tripulantes.