Milhares de sírios tomaram as ruas de cidades pelo país hoje, desafiando as forças de segurança, que entraram em confronto com os manifestantes. Houve confrontos em que a polícia usou gás lacrimogêneo e cassetetes contra os civis em várias cidades, incluindo Deraa e Latakia, segundo testemunhas que divulgaram relatos nos sites Facebook e Twitter, informa o Wall Street Journal.

Mas os protestos foram reprimidos com maior violência na cidade de Duma, logo ao norte de Damasco, onde pelo menos nove pessoas foram mortas, disseram uma testemunha e um ativista dos direitos humanos. No vilarejo de Sanamen, perto de Deraa, a polícia disparou contra manifestantes e matou outras três pessoas, disse um ativista dos direitos humanos. O governo sírio, em Damasco, não confirmou o relato.

A minoria curda síria, geralmente marginalizada, uniu-se aos protestos hoje nas cidades de Qamishli, Amouda e Derbasiya. A informação sugere que as manifestações estão se disseminando das grandes cidades para outras, menores, superando ainda as divisões sectárias.

As manifestações ocorrem em reação ao discurso do presidente Bashar Assad na quarta-feira. Ele não falou sobre planos concretos para reformas no país. O presidente chamou os manifestantes de traidores e culpou forças estrangeiras pelos protestos, que duram quase duas semanas. Segundo ele, o governo realizará reformas, mas no seu próprio ritmo, para que elas ocorram apropriadamente e não por pressão da oposição.

Porém, muitos sírios creem que o governo não cumprirá suas promessas e querem mudanças significativas rápido. “Nós não voltaremos para nossas casas antes de alcançar todas nossas demandas. Nós protestaremos por dias e mesmo por semanas”, afirmou uma mensagem de um ativista postada na internet, na página do Facebook Revolução Síria 2011, uma área virtual de onde são organizados os protestos. As informações são da Dow Jones.