Pesquisas cujos resultados contestam o consenso científico em torno do aquecimento global fazem parte de uma ampla campanha de desinformação financiada por alguns dos maiores poluidores do planeta, denunciou nesta terça-feira (7) em Cingapura o ex-vice-presidente americano Al Gore. "Existe uma campanha organizada, financiada em cerca de US$ 10 milhões por ano pelos maiores poluidores do mundo, para criar a impressão de que há desacordo entre a comunidade científica", afirmou Gore em um fórum sobre o tema em Cingapura. "Na realidade, há bem pouco desacordo", assegurou.

Gore comparou a campanha de desinformação à realizada pela indústria do tabaco dos Estados Unidos há alguns anos, quando os fabricantes de cigarros gastaram milhões de dólares para criar a impressão de que havia incerteza e discussão na comunidade científica com relação aos efeitos nocivos do tabagismo.

"Este é um dos mais fortes consensos da história da ciência", declarou Al Gore. "Nós vivemos em um mundo onde o que costumava ser chamado de propaganda atualmente desempenha um forte papel na formação da opinião pública", advertiu.

Depois de um relatório do Painel Internacional sobre a Mudança Climática (IPCC, por suas iniciais em inglês), integrado pelos mais renomados cientistas da Organização das Nações Unidas (ONU) ter alertado em fevereiro que o aquecimento global é "muito provavelmente" causado pelo homem, "os negadores do fenômeno ofereceram recompensa de US$ 10.000 aos autores de quaisquer artigos que contestassem esse consenso", denunciou. "Eles querem manipular a opinião e estão nos tratando como tolos", continuou o ex-vice-presidente americano.

De acordo com Gore, a Exxon Mobil, maior companhia petrolífera do mundo em valor de mercado, é uma das grandes empresas envolvidas nas tentativas de alimentar dúvidas com relação ao aquecimento global. A Exxon Mobil qualificou a alegação como "totalmente falsa".