A expectativa é de que os principais partidos moderados saiam vencedores da eleição geral realizada neste domingo, em Portugal, depois que as alternativas mais radicais falharam ao explorar o descontentamento público com as medidas de austeridade fiscal.

O governo de coalizão de centro-direita seria reeleito por uma margem apertada, segundo indicam pesquisas, apesar de promulgar aumentos de impostos e cortes de salários, aposentadorias e de serviços públicos ao longo dos últimos quatro anos.

Essas políticas eram parte de um plano para restaurar a saúde financeira de 19 nações da Zona do Euro, que passam por crises provocadas pelo alto grau de endividamento público. O governo português ressalta que o país não pode se dar ao luxo de voltar a tomar dívidas e aumentar gastos como no passado, e deve permanecer austero até diminuir as dívidas.

O principal rival do atual governo foi o Partido Socialista de centro-esquerda, a principal força de oposição, que também aceita as regras financeiras da zona do euro, mas promete começar a aliviar a carga fiscal e acelerar o crescimento através do consumo doméstico.

Ao contrário de alguns outros países da Zona do Euro, não surgiram partidos radicais proeminentes combatendo as políticas de austeridade. Votos de protesto tradicionalmente vão para o Partido Comunista, que deve conseguir os habituais 10% dos votos, enquanto o mais recente Bloco de Esquerda deve ficar com cerca de 5%.

O Partido Comunista quer Portugal fora da Zona do Euro. O Bloco de Esquerda quer renegociar a dívida nacional, exigindo melhores condições junto aos credores, e acabar com as medidas de austeridade, com um aumento de imposto para as grandes empresas.

Portugal estava à beira da falência durante a crise financeira da Zona do Euro e precisava de um resgate de 78 bilhões de euros em 2011. Os socialistas estavam no poder durante seis anos antes do início da crise, o que levou o partido a ser acusado de má gestão econômica. Cortes de gastos do governo de centro-direita e aumentos de impostos ajudaram a colocar Portugal em um recessão de três anos.

Mas este ano a economia está melhorando, e o atual primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, diz que austeridade está valendo a pena. A economia cresceu 1,5% no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período em 2014. O taxa de desemprego caiu de 17,7% em 2013 para 12,3% em julho deste ano.

Presidente português, Aníbal Cavaco Silva, que não tem poderes executivos, disse que as eleições “ocorrem em um momento crucial para o país. Nós enfrentamos alguns desafios muito complexos”, disse ele em um discurso televisionado para a nação na noite de ontem.

O líder socialista Antonio Costa diz que é hora para “virar a página da austeridade”. Entre outras medidas, ele quer diminuir o imposto sobre as vendas de restaurantes de 23% para 46%, trazer de volta quatro feriados que foram abolidos para melhorar a produtividade, e restaurar os salários dos funcionários públicos que foram cortados.

Uma preocupação dos investidores é que o resultado poderia trazer um governo minoritário, que não teria nenhuma garantia de conseguir implementar suas políticas. Os partidos buscam obter uma maioria absoluta de 116 assentos no Parlamento, que tem um total de 230 assentos. Fonte: Associated Press