O governo de Portugal sobreviveu a mais um voto de desconfiança no Parlamento hoje, mas o futuro da coalizão conservadora continua a depender da decisão do maior partido de oposição do país sobre um pacto para manter o programa de resgate português nos trilhos.

Apesar das contínuas conversas entre os dois partidos que formam o governo e o Partido Socialista, de oposição, os socialistas votaram a favor da moção de censura, destacando as dificuldades para se chegar a um acordo.

Esse foi o quinto voto de desconfiança que o governo português sobreviveu desde que assumiu o poder em 2011, com 131 votos contra e 87 a favor.

“O país precisa de outras políticas, de crescimento e criação de empregos”, disse Carlos Zorrinho, líder do Partido Socialista no Parlamento. “Se o governo pensou que só porque há um diálogo ocorrendo nós abandonamos nossa oposição, está enganado.”

A coalizão de governo foi sacudida este mês quando dois ministros renunciaram, em meio a conflitos causados pelas políticas de austeridade do país. O menor partido da coalizão de governo ameaçou se retirar, mas depois houve uma reconciliação. O problema é que o presidente do Portugal, Aníbal Cavaco Silva, insistiu em um pacto mais amplo com o partido de oposição em vez de concordar em realizar uma reforma ministerial.

Os partidos definiram domingo como o prazo para chegarem a um acordo. Nesta quinta-feira, o primeiro-ministro do país, Pedro Passos Coelho, pressionou os socialistas a “servirem ao interesse nacional” e concordarem com o pacto, alertando que um segundo programa de resgate causaria ainda mais problemas ao país. “É hora de o Partido Socialista mostrar alguma responsabilidade”, disse.

Se os três principais partidos concordarem com o pacto para manter o programa de resgate nos trilhos e se comprometerem com uma disciplina fiscal de longo prazo, Cavaco Silva disse que vai antecipar as eleições para o fim do ano que vem. Fonte: Dow Jones Newswires.