Um prefeito uruguaio pediu ao governo de Tabaré Vázquez que "ponha um freio" à venda de terras a investidores argentinos, ao declarar-se em estado de alerta pelo que classificou como uma nova escalada nas aquisições.

"Falei com o presidente para lhe comunicar minha preocupação e pedir que os governo faça algo para freá-los", disse Omar Lafluf, prefeito do departamento (província) de Río Negro, que explicou ao jornal Ultimas Noticias que sua preocupação aumentou quando soube da nova compra de estabelecimentos dedicados à produção de leite.

O interesse argentino pelos campos uruguaios é considerado inicialmente positivo, enquanto dinamiza a economia local, mas "está passando dos limites", acrescentou Lafluf, para quem o fenômeno está associado ao conflito interno vivido na Argentina entre o governo e os empresários agropecuários.

A província de Río Negro, cuja capital localiza-se a 309 quilômetros ao noroeste de Montevidéu, sobre o rio Uruguai, via com "satisfação" a chegada dos primeiros investidores para a produção de soja, "mas havíamos planejado que se começassem a tomar campos dedicados à produção leiteira, teríamos que pará-los", disse.

Segundo informes públicos e privados, 35% das terras cultiváveis no Uruguai estão nas mãos argentinas e entre 2000 e 2007 foram realizadas 19.000 operações de compra-venda de terras, de cinco milhões de hectares.