O primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse hoje que é contra uma lei para regular a imprensa do país. A medida foi proposta pelo juiz Brian Leveson para evitar abusos dos meios de comunicação como no caso das escutas ilegais do tabloide “News of the World”.

Em relatório, o magistrado propôs a criação de um órgão composto por membros das empresas de mídia, mas regulado por uma lei, que lhe daria mais poderes de punição.
O chefe de governo considerou a legislação desnecessária e ameaçadora à liberdade de imprensa. “Precisamos ser cautelosos com qualquer legislação que tenha o potencial para violar a liberdade de expressão e a imprensa livre. Tenho sérias preocupações e receios sobre essa recomendação”, disse.

Nesse sentido, incentivou aos meios de comunicação a apresentar uma proposta que ofereça garantias de eficácia e independência.

Relatório

Brian Leveson defendeu a liberdade de imprensa, mas afirmou que as empresas falharam na autorregulação no passado, quando criaram um mecanismo próprio sem interferência governamental.

Como forma de diminuir o potencial de falhas, o juiz defendeu a criação de um observador composto por integrantes da imprensa, mas referendado por lei para que tenha poder de sancionar os meios.

“A imprensa deve prestar contas ao público a respeito dos interesses pelos quais age e deve respeitar os direitos dos outros. Não deve ser aceitável que usem seu poder e autoridade para determinar a habilidade para minar a capacidade da população de exigir regulamentação”.

Para ele, a imprensa “fez estragos na vida de pessoas inocentes por muitas décadas” e acredita que as medidas vão proteger os direitos das vítimas de abusos. O juiz também criticou a relação dos meios de comunicação com os políticos, a qual chamou de “danosa”.

Espera

O relatório final, que contém 2.000 páginas era esperado pela Justiça e pela imprensa britânica, esta afetada por uma crise de credibilidade por causa das escutas telefônicas do “News of The World”, pertencente à News International, do magnata Rupert Murdoch.

A investigação de Leveson foi pedida pelo primeiro-ministro britânico, David Cameron, em julho, pouco após a descoberta do escândalo. O relatório inclui evidências de interferências da mídia e escutas ilegais de políticos, outros jornalistas e vítimas do abuso da imprensa.

O escândalo, descoberto em maio de 2011, provocou o fechamento do jornal. Devido às escutas, a ex-diretora da empresa, Rebekah Brooks, e o ex-diretor do jornal, Andy Coulson, irão a julgamento no ano que vem por violação do sigilo telefônico e propina.