O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, criticou os Estados Unidos por impor sanções contra importantes autoridades venezuelanas acusadas de violações dos direitos humanos. Maduro afirmou que pedirá ao Congress de seu país que conceda a ele poderes adicionais para “combater o imperialismo”.

Em um inflamado discurso transmitido pela televisão estatal na noite de segunda-feira, o líder apareceu ao lado das autoridades alvos das sanções. O presidente promoveu uma delas e felicitou outra pela “honra imperial” outorgada por Washington.

“O presidente Barack Obama, em nome da elite imperialista norte-americana, decidiu pessoalmente assumir a tarefa de derrotar meu governo, intervindo na Venezuela e controlando-a dos Estados Unidos”, disse Maduro. “Obama tomou hoje a mais agressiva, injusta e venenosa medida que os Estados Unidos jamais adotaram contra a Venezuela.”

O alvo das sanções anunciadas na segunda-feira é um grupo de autoridades do mais alto escalão do aparato de segurança do país sul-americano, responsável por reprimir protestos contra o governo, que se espalharam pela Venezuela no ano passado, e por acusar integrantes da oposição. As autoridades da lista não receberão vistos para entrar em território norte-americano e terão congelados ativos que porventura tenham no país.

Um do nomes da lista, major-general Gustavo González, diretor-geral do serviço de inteligência da Venezuela, foi promovido a Ministro do Interior, cargo importante que tem como tarefa manter a paz no país. Washington diz que ele foi cúmplice em atos de violência contra os manifestantes.

Maduro também anunciou que pedirá ao partido governista, que controla do Congresso, que conceda a ele novos poderes para que possa defender o país contra todas as agressões e ameaças à sua soberania. Mas ele não especificou quais seriam esses poderes e como ele os usaria.

A oposição criticou o plano, afirmando que ele será usado para anular a dissidência ao governo de Maduro.

A concessão de poderes por decreto era a ferramenta favorita do antecessor de Maduro, Hugo Chávez, que usou esse tipo de manobra para promulgar dezenas de leis que aumentaram o controle estatal sobre a economia.

Os Estados Unidos mantêm profundos laços econômicos com a Venezuela, particularmente no setor de energia, mas as tensões diplomáticas vêm aumentando nos últimos meses. A decisão anunciada na segunda-feira colocou as relações entre os dois países num patamar ainda pior. Fonte: Associated Press.