O presidente de Madagáscar, Marc Ravalomana, anunciou nesta terça-feira (17) ter cedido o poder aos militares. Num pronunciamento por rádio, Ravalomana disse ter renunciado à presidência para que uma junta militar assuma o governo. Andry Rajoelina, o líder de oposição que vinha pressionando Ravalomana para que renunciasse e repassasse o poder a ele, ainda não se pronunciou sobre o assunto. Nesta terça, Rajoelina ingressou no palácio presidencial sendo aplaudido por soldados amotinados que o respaldaram em sua queda de braço com o presidente, que estava cada vez mais isolado.

Os soldados haviam ocupado o palácio deserto, utilizado normalmente para fins cerimoniais, na noite de ontem. O presidente encontrava-se em sua residência oficial, cercado de correligionários e guardas armados. Além dos soldados, Rajoelina foi recebido por curandeiros especializados em exorcismo. No mês passado, o palácio foi palco de um confronto entre soldados e opositores no qual 25 pessoas morreram.

Rajoelina acusa Ravalomana de malversação de recursos públicos e de prejudicar a democracia de Madagáscar. No domingo, Rajoelina autoproclamou-se presidente de um governo de transição e prometeu novas eleições dentro de dois anos. Ontem, ele instou o Exército a prender o presidente, o que não se concretizou. A tensão em Madagáscar aumentou a partir do fim de janeiro, quando o governo bloqueou o sinal de uma rádio de oposição. Os confrontos que se seguiram, entre opositores e forças de segurança, resultaram na morte de dezenas de pessoas.