O presidente interino do Mali, Dioncounda Traore, assumiu o cargo nesta quinta-feira, restaurando a ordem constitucional neste miserável país africano três semanas após soldados rebelados derrubarem o presidente anterior em um golpe de Estado.

Traore, líder da Assembleia Nacional, deverá servir como presidente por 40 dias, segundo a Constituição. Os mediadores locais, no entanto, reconhecem que o Mali precisará de mais tempo para organizar novas eleições.

O acordo para restaurar a normalidade constitucional no país foi acertado há quase uma semana entre a junta militar que tomou o poder, em março, e o bloco regional da África Ocidental, conhecido como ECOWAS, na sigla em inglês.

O presidente deposto, Amadou Toumani Toure, reapareceu no domingo depois de passar várias semanas desaparecido e apresentou sua renúncia oficial.

Toure estava há poucos meses do fim de seu último mandato quando o palácio presidencial foi invadido pelos golpistas, no último dia 21. A junta atribuiu o golpe ao fato de Toure não ter conseguido lidar com a rebelião que estourou no norte do país em janeiro. No entanto, foi apenas depois de sua deposição que os rebeldes tuaregues conquistaram as três maiores cidades da região e declararam sua independência.

A perda da porção norte do Mali, uma área maior do que a da França, mergulhou o país numa grave crise. Os combatentes estão divididos entre um grupo secular e uma facção islâmica que quer impor a lei da Sharia no norte malinês. As informações são da Associated Press.