A polícia do Afeganistão prendeu dez militantes do Taleban por suposto envolvimento em ataques com ácido contra 15 garotas e professoras que seguiam para um escola no sul do país, afirmou nesta terça-feira (25) governador de Kandahar, Rahmatullah Raufi. “Vários dos detidos confessaram participar da agressão”, segundo o governador. Ele não disse o número exato de réus confessos. De acordo com Raufi, os suspeitos serão julgados após o fim das investigações.

O governador afirmou que líderes do Taleban pagaram aos militantes um total de US$ 2 mil para que cometessem os ataques. Os agressores vieram do Paquistão, mas são cidadãos afegãos, segundo Doud Doud, um funcionário do Ministério do Interior.

O ataque ocorreu contra três grupos de estudantes e professoras que iam para a escola na cidade de Kandahar, no dia 12 de novembro. Várias das garotas sofreram queimaduras no rosto e foram hospitalizadas. O governo afegão qualificou o ataque como “não islâmico”. As Nações Unidas apontaram que houve um “crime horrendo”.

O presidente Hamid Karzai chegou a pedir a execução pública dos envolvidos.

Kandahar é o berço espiritual do Taleban, grupo linha-dura que governou o Afeganistão entre 1996 e 2001. É também uma das regiões mais conservadoras do país, onde as mulheres raramente se aventuram a ir longe de casa. As garotas não podiam freqüentar as escolas durante o regime do Taleban e só podiam sair de casa com uma burca e acompanhadas de um homem da família. Um porta-voz do Taleban, Qari Yousef Ahmadi, negou hoje que haja militantes do grupo envolvidos.

O Afeganistão se esforçou para melhorar o acesso à educação entre as garotas, após a queda do regime, com a invasão liderada pelos Estados Unidos, em 2001. Menos de um milhão de garotos afegãos iam à escola durante o regime taleban. Hoje, seis milhões de crianças, entre elas dois milhões de meninas, vão à escola no país. Porém, muitas famílias conservadoras ainda deixam as garotas em casa.