É tempo de prevenir. É inevitável! Vai, mesmo, faltar água. E esclareça-se: água potável! Porque a água salgada dos oceanos deve durar ainda alguns milhares de anos a menos que essa humanidade desmiolada que povoa a Terra continue com seu propósito insano de poluir, com urgência, todo o universo líquido existente, seja doce ou salgado.

Hoje, consome-se água potável como se nunca fosse faltar. Há um desperdício intolerável. Já faz tempo que estamos gastando a quota das gerações futuras. E o fazemos, porque não nos damos conta do drama que será a vida sem água ou com escassez dela.

Os métodos de captação da água de chuva ainda são tímidos e insuficientes. E são tão simples e tão baratos!

Enquanto isso, rios, açudes e minas d’água vêm sendo poluídos pela ação do homem e pela omissão do poder público. Não há uma legislação severa nem fiscalização adequada para reprimir com rigor esses crimes ecológicos.

Em prédios com aquecimento central a gás, escoam-se pelo ralo, literalmente, milhares de litros de água boa para se beber, enquanto se espera, por alguns minutos, com a torneira aberta, que a água se aqueça.

E quantos milhões de litros de água potável se jogam fora para lavar carros, calçadas e para molhar plantas! Essas tarefas poderiam ser feitas com água de chuva captada e com a reutilização de água tratada.

A propósito, cientistas revelaram, recentemente, que países desenvolvidos têm comprado nossa soja, não porque não possam produzi-la, mas apenas para preservar suas reservas subterrâneas de água contidas nos campos destinados à lavoura.

E, também, quanta água boa se perde em vazamentos da rede pública e particular!

Li, em algum lugar, algumas dicas para economizar água:

1. Pelo menos no verão, use chuveiro elétrico na regulagem própria (para verão).

2. No sanitário, use somente descarga de depósito de 5 litros abolindo aquela sem medida.

3. Ainda no sanitário, só dê descarga depois de três ou quatro xixis.

4. Enquanto escova os dentes, ou faz a barba, programe-se para não esquecer a torneira aberta.

5. Sob o chuveiro, enquanto se ensaboa, feche a torneira.

São apenas cinco dicas, mas muito preciosas, capazes de formar uma conscientização que pode representar enorme economia do precioso líquido.

Enquanto isso, vamos ver se o poder público agiliza a promulgação de leis obrigando as construtoras a tomar medidas práticas de captação da água pluvial nos prédios; substituição do atual sistema de descargas de vasos sanitários pelo de depósito limitado a 5 litros; saneamento e reutilização de águas do esgoto doméstico. A água captada da chuva e a saneada dos esgotos poderão ser utilizadas no uso doméstico, para lavar calçadas e banheiros, para descarga de sanitários etc.

Agindo assim, quem sabe tenhamos a sorte de alcançar o dia em que cientistas, incentivados pelo poder público, venham a nos tranqüilizar, descobrindo uma fórmula economicamente viável de osmose reversa para dessalinização da água dos mares e oceanos. Não pode ser tão difícil assim! Difícil mesmo foi o que Santos Dumont fez: contrariar a lei da gravidade, fazendo voar um amontoado de ferros, mais pesado que o ar!

Albino Freire

– juiz aposentado, é membro da Academia Paranaense de Letras.