Os distribuidores estão ampliando a tiragem da primeira edição do jornal satírico Charlie Hebdo depois do ataque terrorista da semana passada para até 5 milhões, em razão da forte demanda pela publicação nas bancas de jornal nesta quarta-feira.

Mais duas gráficas estão agora imprimindo o jornal semanal, elevando o número para quatro – o que vai permitir uma segunda tiragem durante o dia de hoje, disse Michel Salion, porta-voz da distribuidora MLP.

“Manteremos as impressões diariamente para satisfazer a demanda”, disse Salion, acrescentando que a tiragem pode chegar a 5 milhões de cópias.

Após o ataque de homens mascarados à redação do Charlie Hebdo na semana passada, durante o qual oito de seus funcionários foram mortos, o jornal transformou-se num símbolo da liberdade de expressão – na França e em outras partes do mundo -, o que levou a manifestações em toda a parte sob o slogan “Je suis Charlie”, ou “Eu sou Charlie”.

Em toda a França, as pessoas correram na manhã desta quarta-feira para as bancas de jornal para comprar cópias do jornal. Às 6h30 (horário local), já era difícil encontrar cópias do Charlie Hebdo nas poucas bancas já abertas de Paris.

David Beghin, dono de uma banca na Gare de Lyon, estação de trem no leste de Paris, disse que as 75 cópias que recebeu nesta quarta-feira – número muito acima das oito que recebia numa semana normal – foram compradas nos 20 minutos depois de ele ter aberto, às 6h. “As pessoas vieram comprar a edição às dezenas”, afirmou.

Outras bancas de jornal na capital francesa e em cidades como Montpellier também já não tinham mais cópias à disposição.

O Charlie Hebdo colocou na capa uma caricatura do profeta Maomé, o mesmo ato que, segundo um dos homens que atacou a publicação na semana passada motivou os assassinatos. A representação gráfica do profeta é um insulto para os fiéis do islamismo. Desta vez, o profeta chora e segura uma folha de papel na qual está escrito “Je suis Charlie”. No topo, está a frase “Tout est pardonné”, ou “Tudo está perdoado”.

A segurança é uma preocupação para as gráficas, cujos nomes não foram divulgados, informou Salion. O centro de logística usado para a distribuição do jornal está sob proteção policial, disse ele.

Esta edição do Charlie Hebdo terá uma distribuição internacional mais ampla do que as demais. O jornal será vendido nos Estados Unidos pela primeira vez, revelou Salion. A previsão era que o jornal fosse traduzido para 16 línguas. Fonte: Dow Jones Newswires.