Manifestantes fizeram hoje barricadas com pedras e pneus em chamas numa importante via de Standerton, na África do Sul, e entraram em confronto com a polícia, que respondeu com balas de borracha. Jovens reagiram com estilingues e atiraram pedras.

O protesto lembrou imagens de décadas atrás, quando os moradores dos distritos tomavam as ruas para lutar contra o apartheid. Agora, o problema é o fracasso do governo em melhorar a vida dos pobres da África do Sul desde que a democracia substituiu o regime de segregação racial.

Mais de 150 pessoas foram detidas nesta semana em manifestações que se espalharam de Standerton, cerca de 150 quilômetros a sudeste de Johanesburgo, para pelos menos outras quatro cidades no leste do país.

Nesta quinta-feira, um veículo policial foi incendiado por manifestantes perto de um estádio que será usado na próxima Copa do Mundo em Nelspruit, capital da província de Mpumalanga.

Em Diepsloot, um assentamento pobre ao norte de Johanesburgo, 19 pessoas ficaram feridas quando a polícia disparou balas de borracha contra os manifestantes.

Os protestos deixaram os moradores com medo de sair de casa. Clínicas do governo estão fechadas por temores que seus funcionários sejam alvo de violência, o que obriga mães com crianças doentes e idosos com problemas de saúde a andar quilômetros.

Pobreza

Uma década e meia depois do fim do apartheid, muitos sul-africanos sentem que não foram beneficiados pelo crescimento econômico que deixou ricos muitos funcionários do governo.

Jacob Zuma, uma figura popular entre os pobres e que venceu as eleições presidenciais de abril, prometeu aumentar a velocidade da entrega de casas, clínicas médicas, escolas, água encanada e eletricidade, além de criar empregos. Mas ele reconheceu as dificuldades da primeira recessão enfrentada pela África do Sul em quase duas décadas.