Em todo mundo, as tartarugas aquáticas são os répteis mais comumente mantidos em cativeiro. No Brasil, mediante autorização do Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis), pode ser encontrada à venda como animal de estimação a tartaruga tigre d?água brasileiro (Trachemys dorbignyi). O nome foi dado em função das listras amareladas e alaranjadas que o animal possui ao longo do corpo.

Considerada uma das mais belas tartarugas da fauna brasileira, é encontrada em pântanos, banhados, lagos, riachos e rios do Rio Grande do Sul. Porém, também vive em determinados locais do Uruguai e da Argentina e se reproduz bem em cativeiro, onde é mantida por criadores autorizados e especializados.

Quando há cruzamento, o período de incubação dos ovos varia de dois a quatro meses e os filhotes nascem medindo cerca de três centímetros e pesando aproximadamente onze gramas. A idade adulta é alcançada pelos machos aos dois anos e pelas fêmeas aos cinco. Eles geralmente são mais escuros e menores. Enquanto elas medem cerca de 25 centímetros, eles normalmente não passam de 22.

"É muito difícil determinar o sexo de uma tartaruga filhote. Geralmente, as diferenças entre machos e fêmeas só começam a aparecer a partir do terceiro ano de vida. Muitas vezes, sabemos que uma tartagura é fêmea apenas quando ela ovula e fica com a barriga inchada. Já os machos costumam ter o rabo e as unhas um pouco maiores", afirma o consultor em aquarismo Wander Nascimento, proprietário de uma loja em Curitiba que comercializa animais aquáticos.

O sexo de muitas tartarugas também costuma ser diferenciado por características da carapaça. Nas fêmeas, a parte inferior da estrutura geralmente é ligeiramente convexa, tendo maior espaço para os ovos. Nos machos, a parte inferior costuma ser reta, o que permite que ele se adapte melhor às fêmeas no momento do acasalamento.

Há controvérsias sobre o tempo de vida dos animais, mas sabe-se que em cativeiro ela pode viver muito. Catálogos informativos dados a pessoas que adquirem tartarugas chegam a citar entre 60 e 100 anos.

Animal de estimação

Quem deseja ter uma tartaruga como bicho de estimação deve tomar o cuidado de comprar o animal de vendedor regulamentado, que o tenha adquirido de criador autorizado pelo Ibama. Para se ter certeza de que o bichinho não é fruto de contrabando, deve-se exigir nota fiscal de compra e certificado de origem. Caso o proprietário queira se desfazer do animal depois de um tempo, terá que comunicar o fato ao Ibama, ficando proibido de soltar a tartaruga na natureza.

Cuidados

Se a venda for regulamentada, o comprador deve observar se o animal está com o casco duro, mostra disposição para nadar e comer. Para mantê-lo em casa, é preciso adquirir um aquaterrário, uma espécie de aquário que tem uma parte com água e outra parte seca. "O aquaterrário deve ser equipado com termômetro e aquecedor. A temperatura deve ser mantida entre 25ºC e 30ºC, pois o frio pode fazer com que o animal adquira pneumonia, uma das principais causas de morte entre tartarugas domésticas."

Também é indicado que o aquaterrário tenha um sistema de filtragem, o que contribui para manter a qualidade da água. Quando existe o equipamento, 50% da água utilizada pela tartaruga deve ser trocada uma vez por mês. Caso contrário, deve ser substituída a cada dois dias. Diariamente, de uma a duas horas, a tartaruga deve ser exposta ao sol, que propicia maior absorção de cálcio e melhor desenvolvimento de ossos e casco. Até os seis meses de idade, o animal deve consumir ração para filhotes. Depois, ração especial e alguns petiscos, como frutas, legumes, verduras, carne de peixe e camarão. Nunca devem ser fornecidas rações de outros animais e carne moída.

O dócil jabuti é outro animal bastante procurado

Outro réptil bastante procurado como animal de estimação é o jabuti, tido como uma espécie terrestre. Considerado bastante dócil, apesar da aparência rústica, o animal pode ser encontrado em diversas partes do mundo e também costuma se adaptar bem ao ambiente doméstico.

"Assim como as tartarugas, os jabutis também precisam de autorização do Ibama para serem comercializados. Eles costumam ser bons animais de estimação, reconhecendo os donos, se mostrando bastante companheiros e interagindo com as pessoas", diz a gerente do aviário São Paulo, em Curitiba, Maria Luiza Horst Neves, que trabalha com a venda do animal.

No Brasil, existem duas espécies de jabutis conhecidas: jabuti-tinga (Geochelone denticulata) e jabuti-piranga (Geochelone carbonaria). Os representantes da primeira se caracterizam pela cor amarelada, em tons menos acentuados. Já os da segunda espécie são reconhecidos por terem a carapaça levemente alongada.

Dentro de casa, os jabutis devem ser mantidos em terrários com temperatura entre 23ºC e 30ºC. Eles também podem ser deixados soltos, desde que na companhia de pessoas. Precisam tomar sol durante algumas horas do dia e necessitam de água limpa para beber e se refrescar. A alimentação dos répteis tem como base rações especiais. Porém, eles também podem receber carne, frutas, legumes e verduras.

Bons amigos

O estudante Patrick André Alves, de 12 anos, e o jabuti macho conhecido como Cash mantêm uma amizade antiga. O garoto ganhou o animal de presente da avó quando tinha 5 anos de idade e, desde então, não desgruda do bichinho. "Cash fica andando pela casa e todo mundo quer brincar com ele. No começo, ele fica um pouco assustado quando é pego por pessoas estranhas, mas logo se acostuma e  se torna amigável", conta o menino.

Patrick confirma que o jabuti reconhece os donos e tem comportamento afável. Ele revela que, embora o animal faça bastante "sujeira", quase não dá trabalho e não gera cheiro ruim quando tomadas medidas corretas de higiene. "A única coisa que me preocupa são os três cães que tenho em casa. Tenho que cuidar para que eles não peguem o jabuti, pois podem machucá-lo." (CV)

Introdução ilegal de espécies estrangeiras constitui ameaça

Como outros animais silvestres, as tartarugas são grandes vítimas do tráfico. No Brasil, as espécies nativas são ameaçadas pela introdução ilegal do chamado tigre d?água Importado (Trachemys scripta elegans), uma tartaruga caracterizada por manchas vermelhas na região das orelhas.

A técnica do Núcleo de Fauna e Recursos Pesqueiros do Ibama no Paraná, Cosette Xavier da Silva, afirma que a espécie importada é originária do norte dos Estados Unidos. No Paraná, ela tem como principal porta de entrada a cidade de Foz do Iguaçu, que faz divisa com o Paraguai.

"A importação de répteis no Brasil é proibida desde 1998. Porém, os animais continuam sendo trazidos de forma ilegal, sem documento de origem e em condições sanitárias desconhecidas. Isto representa uma ameaça às espécies nativas", comenta Cosette.

O perigo acontece quando as pessoas adquirem o animal importado e o soltam na natureza. É comum que os compradores peguem os animais pequenos e se desfaçam dos mesmos depois que eles crescem e começam a dar trabalho, sem ter noções dos prejuízos que isso pode gerar.

"Na natureza, a tartaruga estrangeira passa a disputar espaço e alimentos com a espécie nacional. Já foram até constatados cruzamentos entre a tigre d?água brasileiro e o tigre d?água importado, o que faz com que haja perda da variabilidade genética", esclarece Cosette.

Quando uma pessoa é pega transportando os animais importados geralmente recebe multa por maus tratos, pois na maioria das vezes os bichinhos chegam ao Brasil em péssimas condições de saúde. (CV)